Tratamento · Síndrome do pânico · Rio de Janeiro e online

Síndrome do pânico (transtorno do pânico): tratamento com TCC.

Desarmar o alarme falso do corpo — corrigindo as interpretações catastróficas das sensações físicas e recuperando a liberdade de ir aonde quiser. Presencial em Botafogo, no Rio de Janeiro, e online para todo o Brasil.

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Resposta direta

A síndrome do pânico — nome popular do transtorno do pânico (CID-10 F41.0; CID-11 6B01) — é tratada com Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) individual, em protocolo estruturado de 12 sessões (12 a 14 semanas), combinando reestruturação cognitiva, exposição interoceptiva (provocação controlada das sensações temidas) e exposição gradual às situações evitadas. A TCC é a psicoterapia mais estudada para o quadro (Pompoli et al., 2016, Cochrane) e a de maior efeito frente ao tratamento usual (SMD −0,67; Papola et al., 2022). No estudo de Barlow et al. (2000), entre 45% e 55% dos pacientes responderam já na fase aguda. Uma crise de pânico isolada atinge o pico em até 10 minutos e passa; se ela acontecer agora, veja o passo a passo logo abaixo.

Quem atende

Maurício Araújo, psicólogo

Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) · tratamento de síndrome do pânico em adultos

CRP 05/80169 · conferir no CFP

Instituto InMind · Rua Real Grandeza, 108, sala 108 · Botafogo, Rio de Janeiro

Online pelo Google Meet para todo o Brasil e brasileiros no exterior

Agendamento pelo WhatsApp (21) 97170-3636 · nota fiscal para reembolso

Crise de pânico agora

O que fazer durante uma crise de pânico.

Estes são os passos que treino com meus pacientes. Não fazem a crise sumir na hora; ajudam você a atravessá-la sem alimentar o ciclo. O treino de verdade vem com a exposição às sensações, feita em sessão.

Passo 1 de 5

Dê nome ao que está acontecendo

“Isto é uma crise de pânico. É muito desconfortável, mas não é perigosa.” Dar nome tira o foco do “vou morrer” e devolve um pouco de controle.

A curva de uma crise

picoinícioaté 10 mindiminuimedo

A crise é intensa, mas tem começo, pico e fim. Quem passa por várias crises costuma descobrir que o pior medo (desmaiar, enlouquecer, morrer) não se realiza.

Quando procurar atendimento médico na hora: se for a primeira vez que isso acontece, se a dor no peito for forte ou vier com esforço, se houver desmaio, falta de ar que não melhora ou se você tem problema cardíaco. Ligue para o SAMU no 192 ou vá à emergência: só o exame médico descarta causas físicas. Se você pensa em se machucar, ligue para o CVV no 188.

O que é

Um alarme de perigo que dispara sem ameaça real.

O Transtorno do Pânico se caracteriza por ataques de pânico recorrentes e inesperados — picos abruptos de medo intenso, acompanhados de sintomas físicos fortes, que atingem o auge em minutos. O cérebro interpreta uma sensação corporal comum (coração acelerado, falta de ar, tontura) como sinal de catástrofe iminente: infarto, sufocamento, loucura ou perda total de controle.

Isso cria um ciclo: sensação física → interpretação de perigo → resposta de alarme do corpo → mais sensações → aparente confirmação da catástrofe → esquiva. Com o tempo, o medo deixa de ser só do próprio ataque e passa a ser do medo do medo — a pessoa reorganiza a rotina inteira para tentar evitar uma próxima crise.

É importante diferenciar um ataque de pânico isolado — que até 1 em cada 3 pessoas experimenta ao menos uma vez na vida, sem que isso configure um transtorno — do Transtorno do Pânico, que exige ataques recorrentes somados a pelo menos um mês de medo persistente de uma nova crise ou mudança de comportamento por causa dela. A tabela mais abaixo detalha essa diferença.

Sintomas comuns

Quais são os sintomas do pânico?

Os sinais variam, mas o padrão é reconhecível. Se vários destes aparecem com frequência, vale conversar.

Cardíaco

Palpitações e taquicardia

Batimentos acelerados, pressão no peito ou sensação de que o coração vai parar — geralmente interpretados como sinal de infarto iminente.

Respiração

Falta de ar e hiperventilação

Sensação de sufocamento, respiração rápida ou superficial, tontura e formigamento nas extremidades causados pela alteração do CO2.

Cognição

Medo catastrófico

Pensamentos de que vai morrer, enlouquecer, perder o controle ou desmaiar — sempre com interpretação de perigo iminente.

Percepção

Desrealização

Sensação de irrealidade, como se o ambiente ou o próprio corpo estivessem distantes, embaçados ou irreconhecíveis.

Esquiva

Fuga de situações e lugares

Evitar locais onde houve ataques, transporte público, filas, espaços fechados ou qualquer lugar de onde a fuga seja difícil.

Corpo

Tensão aguda

Tremores, suor, náuseas, sensação de calor ou frio intenso, tensão muscular súbita — o corpo em estado de alarme máximo.

Também pode aparecer como: medo de ficar sozinho durante um ataque · necessidade de levar água ou remédio para todo lugar · dificuldade para viajar sozinho · medo de elevadores e espaços fechados.

Autoverificação

O que eu senti foi uma crise de pânico?

Marque o que você sentiu na última crise. A lista segue os 13 sintomas do DSM-5: um ataque de pânico tem pelo menos quatro deles e chega ao máximo em poucos minutos.

Na sua pior crise, você sentiu:

Os sintomas chegaram ao máximo em poucos minutos?

Por que o pânico se mantém

Os elos do ciclo do pânico — e o antídoto para cada um.

O tratamento não ataca o pânico como um bloco só. Ele desmonta, um a um, os elos que fecham o ciclo e o mantêm se repetindo.

1

Sensação corporal ambígua

O coração acelera por café, calor, exercício, uma discussão — ou por nenhum motivo aparente.

Antídoto: psicoeducação sobre a fisiologia real do medo — a resposta de luta-ou-fuga é desconfortável, não perigosa.

2

Interpretação catastrófica

“Isso é um infarto.” “Vou desmaiar na frente de todo mundo.” “Vou perder o controle.”

Antídoto: reestruturação cognitiva — testar a interpretação contra a evidência real, não contra a sensação de perigo.

3

Amplificação do alarme

A atenção hipervigilante volta-se para dentro do corpo, e cada sensação passa a parecer mais forte e mais assustadora.

Antídoto: exposição interoceptiva — provocar a sensação de propósito, em segurança, até ela deixar de assustar.

4

Esquiva e comportamentos de segurança

Evitar lugares, carregar remédio “por garantia”, sentar sempre perto da saída, checar o pulso o tempo todo.

Antídoto: exposição in vivo graduada, com retirada progressiva dos comportamentos de segurança.

Exposição interoceptiva

A escada de exposição interoceptiva.

Em vez de esperar o próximo ataque, o tratamento provoca as sensações temidas de propósito, em consultório, numa progressão combinada com você — do exercício mais leve ao mais desafiador.

  1. 1Respirar fundo e prender a respiração por 30 segundos
  2. 2Balançar a cabeça de um lado a outro por 30 segundos
  3. 3Correr parado ou subir e descer um degrau rapidamente por 1 minuto
  4. 4Girar em pé ou numa cadeira giratória por 1 minuto
  5. 5Respirar por um canudo fino, tampando o nariz, por 2 minutos
  6. 6Hiperventilar voluntariamente (respiração rápida e superficial) por 1 a 2 minutos
  7. 7Reproduzir a sensação dentro da situação real evitada — por exemplo, ficar em pé rápido num elevador ou numa fila fechada

Cada degrau é repetido até a ansiedade cair sozinha — não porque a pessoa "aguentou", mas porque o corpo aprende, na prática, que a sensação não é perigosa.

Ansiedade × pânico

Crise de ansiedade ou crise de pânico?

As duas expressões são usadas como sinônimos, mas descrevem experiências diferentes. A diferença muda o tratamento: a ansiedade que cresce aos poucos com preocupações costuma estar ligada à ansiedade generalizada; o pico súbito e físico é o ataque de pânico.

Como começa

Crise de ansiedadeAos poucos, a partir de uma preocupação ou situação estressante.

Crise de pânicoDe repente, às vezes do nada, até dormindo.

Pico

Crise de ansiedadeCresce devagar e pode durar horas.

Crise de pânicoChega ao máximo em até 10 minutos e depois diminui.

O que domina

Crise de ansiedadePreocupação, tensão, inquietação, irritabilidade.

Crise de pânicoExplosão de sintomas no corpo e medo de morrer, enlouquecer ou perder o controle.

Depois

Crise de ansiedadeCansaço e a preocupação de fundo continuam.

Crise de pânicoMedo de ter outra crise e vontade de evitar lugares.

Mais ligada a

Crise de ansiedadeAnsiedade generalizada, estresse, burnout.

Crise de pânicoSíndrome do pânico (transtorno do pânico), às vezes com agorafobia.

“Crise de ansiedade” é uma expressão do dia a dia, não um diagnóstico. “Ataque de pânico” é o termo técnico. Os dois podem aparecer na mesma pessoa.

Diagnóstico diferencial

Ataque isolado ou Transtorno do Pânico?

Nem todo ataque de pânico indica um transtorno. A tabela abaixo ajuda a situar onde sua experiência se encaixa.

CritérioAtaque isoladoTranstorno do PânicoTP com agorafobia
FrequênciaAcontece uma vez, ou raramente se repeteAtaques recorrentes e inesperadosAtaques recorrentes, muitas vezes antecipados com ansiedade
Medo entre episódiosNão há medo persistente de uma nova criseMedo persistente ("medo do medo") por 1 mês ou maisMedo amplo, generalizado para várias situações
Esquiva comportamentalNenhuma ou quase nenhumaPontual — de gatilhos específicos (café, exercício, calor)Ampla — de lugares onde fugir seria difícil
Impacto no dia a diaBaixo — a rotina segue sem mudançasModerado — preocupação constante, rotina mantidaAlto — restrição real da liberdade e da rotina

Esta tabela ajuda a organizar informações, não substitui uma avaliação psicológica.

Agorafobia

Quando o pânico leva à esquiva de lugares.

Uma parcela significativa dos pacientes com Transtorno do Pânico desenvolve também agorafobia: medo e esquiva de lugares ou situações onde escapar seria difícil ou embaraçoso caso um ataque aconteça — transporte público, filas, cinemas, ou simplesmente estar sozinho longe de casa.

A boa notícia é que isso não exige um tratamento diferente. A estrutura central — reestruturação cognitiva, exposição interoceptiva e exposição gradual — continua sendo a mesma. O que muda é o alcance da fase de exposição in vivo, que passa a incluir também os lugares e situações evitados, às vezes começando com um acompanhante e retirando esse apoio aos poucos, na medida em que a confiança aumenta.

As duas maiores revisões sistemáticas sobre psicoterapia para pânico (Pompoli et al., 2016, Cochrane; Papola et al., 2022, British Journal of Psychiatry) estudam justamente essa população combinada — "Transtorno do Pânico com ou sem agorafobia" — e chegam à mesma conclusão: a TCC continua sendo a intervenção de primeira linha, com ou sem agorafobia associada.

Minha abordagem

Terapia Cognitiva para o Pânico.

O protocolo utilizado é baseado no capítulo 8 do manual de Clark e Beck, uma das referências mais sólidas da literatura científica sobre o transtorno. Trata-se de uma Terapia Cognitivo-Comportamental estruturada para desativar o sistema de alarme de medo, corrigindo as interpretações catastróficas das sensações corporais.

Trabalhamos em empirismo colaborativo: eu atuo como educador e treinador, ensinando ferramentas concretas; você é parte ativa do processo, trazendo o conhecimento sobre si e a disposição para experimentar novos comportamentos, em ritmo combinado.

O objetivo não é "acalmar" no momento da crise, e sim mudar, de forma duradoura, a interpretação que o cérebro faz das próprias sensações.

Uma dúvida frequente

TCC combinada com medicação — o que diz a evidência.

Um dos maiores ensaios já feitos sobre o tema comparou TCC isolada, medicação isolada (imipramina) e a combinação das duas (Barlow et al., 2000, JAMA, n=312).

Na fase aguda, a combinação teve a maior taxa de resposta (60,3% a 64,1%), à frente da TCC isolada (48,7% a 53,9%) e da imipramina isolada (45,8% a 48,2%). Mas o dado mais interessante aparece seis meses depois de interromper o tratamento: quem manteve a resposta com mais consistência foi o grupo de TCC (com ou sem placebo — 31,9% a 41,0%), não o grupo que havia combinado TCC com medicação (26,3%) nem o grupo só de medicação (19,7%).

GrupoResposta na fase aguda6 meses após interromper
TCC isolada48,7%–53,9%31,9%–41,0%
Imipramina isolada45,8%–48,2%19,7%
TCC + imipramina60,3%–64,1%26,3%

Barlow et al. (2000), JAMA, n=312. Faixas refletem duas escalas de resposta (PDSS e CGI). Esta tabela não substitui avaliação psiquiátrica.

Ou seja: combinar medicação pode ajudar durante o tratamento ativo, especialmente em quadros mais intensos — mas os ganhos da TCC parecem se sustentar melhor depois que o tratamento termina. Por isso essa página não recomenda nem descarta o uso de medicação: é uma decisão médica, feita com psiquiatra, que pode ser discutida em paralelo à psicoterapia conforme a intensidade do quadro.

Estrutura

Como o tratamento é organizado.

01

Sessões

12

02

Duração

12–14 semanas

03

Modalidade

Individual

O protocolo é estruturado em cinco fases lógicas voltadas para desativar o alarme de medo e recuperar a liberdade de movimento. Cada fase tem objetivos claros e técnicas específicas, mas o ritmo é adaptado às suas necessidades — não se trata de um roteiro rígido, mas de um mapa flexível.

As cinco fases

O que fazemos em sessão.

01

Avaliação e psicoeducação

Aplicamos escalas (BAI, PDSS, QCA) e construímos colaborativamente o Ciclo Vicioso do Pânico: gatilho, sensações físicas, interpretações catastróficas e comportamentos de fuga.

02

Indução de sintoma

Realizamos exercícios de exposição interoceptiva na sessão para provocar intencionalmente sensações temidas (hiperventilação, girar em uma cadeira, respirar por um canudo), demonstrando na prática que são inofensivas.

03

Reestruturação e testagem

Buscamos evidências que desconfirmem a ameaça iminente, geramos explicações alternativas benignas e realizamos experimentos comportamentais que provam que a interpretação, não o corpo, é a causa do pânico.

04

Exposição in vivo

Enfrentamos situações e lugares evitados seguindo uma hierarquia combinada — incluindo agorafobia, quando presente — até que a ansiedade diminua naturalmente, sem fuga nem muletas de segurança.

05

Consolidação e prevenção de recaída

Retiramos os últimos comportamentos de segurança, elaboramos um plano de crise escrito e um plano de manutenção dos ganhos para os meses seguintes ao fim do tratamento.

Tem cura?

Síndrome do pânico tem cura?

A resposta honesta: muitas pessoas deixam de ter crises e voltam a circular livremente depois de um tratamento bem feito, mas nenhum profissional sério pode prometer cura. O que a pesquisa mostra é que a TCC é a psicoterapia mais estudada para o pânico e a que tem os melhores resultados de remissão no curto e no longo prazo, ainda que a qualidade dessas provas seja considerada baixa pela revisão Cochrane (Pompoli et al., 2016).

Em números: no ensaio de Barlow et al. (2000), publicado no JAMA, entre 45% e 55% dos pacientes responderam à TCC já na fase aguda, e quem fez só TCC manteve melhor os ganhos depois do fim do tratamento do que quem dependia apenas da medicação. Você pode encontrar na internet taxas de “75% a 87% de cura”; não encontrei esses números nas revisões sistemáticas, por isso não os uso.

Quanto tempo leva: o protocolo é de 12 sessões em cerca de 12 a 14 semanas, com uma fase extra quando há agorafobia. Sensações físicas podem voltar em fases de estresse; isso não é recaída automática. O tratamento termina com um plano escrito para esses momentos, e algumas pessoas fazem sessões de reforço espaçadas.

E o remédio? Antidepressivos (em especial os ISRS) também tratam o pânico e são prescritos por psiquiatra. A decisão é médica e pode ser combinada com a TCC. Veja a seção sobre TCC e medicação mais acima.

Efetividade

O que a evidência científica mostra?

A TCC é a psicoterapia com evidência mais consistente para o Transtorno do Pânico — recomendada como tratamento de primeira linha nas principais revisões sistemáticas da área.

-0,67

tamanho de efeito (SMD) da TCC individual vs. tratamento usual — o melhor resultado entre todas as psicoterapias comparadas

45–55%

dos pacientes respondem já na fase aguda do tratamento (~12 sessões)

60–64%

de resposta na fase aguda quando combinada a medicação, sob avaliação médica

Comparação entre psicoterapias (vs. tratamento usual)

TerapiaEfeito (SMD)Confiança da evidência
TCC individual-0,67Moderada
Terapia psicodinâmica breve-0,61Baixa

Papola et al. (2022), British Journal of Psychiatry. Ao remover estudos com alto risco de viés metodológico, apenas a TCC permaneceu estatisticamente superior ao tratamento usual.

Formato de entrega — presencial × online

FormatoEfeito (SMD) vs. tratamento usualConfiança
Grupo presencial-0,47Moderada
Individual presencial-0,43Moderada
Autoajuda online guiada-0,42Baixa
Autoajuda online sem orientação-0,21Não significativo

Papola et al. (2022), Psychological Medicine. Formatos com acompanhamento profissional — presencial ou online guiado — funcionam de forma equivalente; a autoajuda sem orientação não mostrou o mesmo efeito.

Leitura honesta dos dados

A qualidade geral da evidência nessa área ainda é considerada baixa a muito baixa pelas revisões Cochrane, e os tamanhos de efeito, embora consistentes a favor da TCC, costumam ser de pequenos a moderados — não uma "cura garantida". Isso não enfraquece a indicação: é justamente o argumento a favor de um protocolo bem estruturado, com exposição interoceptiva de verdade e acompanhamento próximo, em vez de abordagens genéricas de manejo de ansiedade.

Fontes: Papola, D. et al. (2022). "Comparative efficacy and acceptability of psychotherapies for panic disorder with or without agoraphobia." British Journal of Psychiatry, 221(3), 507–519. DOI 10.1192/bjp.2021.148 · Papola, D. et al. (2022). "CBT treatment delivery formats for panic disorder." Psychological Medicine, 53(3), 614–624. DOI 10.1017/S0033291722003683 · Pompoli, A. et al. (2016). "Psychological therapies for panic disorder with or without agoraphobia in adults." Cochrane Database of Systematic Reviews, 4, CD011004. DOI 10.1002/14651858.CD011004.pub2 · Barlow, D.H. et al. (2000). "Cognitive-behavioral therapy, imipramine, or their combination for panic disorder." JAMA, 283(19), 2529–2536. DOI 10.1001/jama.283.19.2529 · Guaiana, G. et al. (2023). "Antidepressants, benzodiazepines and azapirones for panic disorder in adults: a network meta-analysis." Cochrane Database of Systematic Reviews, CD012729. DOI 10.1002/14651858.CD012729.pub3.

Tratamento online

Tratamento online para transtorno do pânico: funciona?

Sim. Os estudos com TCC remota para pânico mostram efeito grande e resultado semelhante ao da TCC presencial. A exposição interoceptiva (provocar de propósito, com segurança, as sensações temidas) é feita por videochamada, e as exposições às situações evitadas são planejadas em sessão e realizadas no seu dia a dia.

Para quem tem agorafobia e hoje evita sair de casa, começar online costuma ser o que torna o tratamento possível. Atendo online todo o Brasil e brasileiros no exterior, e presencialmente em Botafogo, no Rio de Janeiro.

PerguntaO que o estudo mostraFonte
TCC remota × TCC presencial para pânicoEm 21 estudos (1.604 pacientes), a TCC remota foi muito superior aos controles passivos (g = 1,17) e semelhante à TCC presencial (g = 0,02). A TCC por videoconferência teve efeito grande sobre os sintomas (g = 1,40, antes × depois).Efron & Wootton (2021), J. Anxiety Disord.
Terapia combinada com medicaçãoSomar psicoterapia à medicação foi mais eficaz do que a medicação isolada no transtorno do pânico, na depressão maior e no TOC, com efeito mantido por até dois anos.Cuijpers et al. (2014), World Psychiatry
TCC remota com terapeuta × presencialPouca ou nenhuma diferença de eficácia (SMD −0,02; IC95% −0,12 a 0,07) em 54 ensaios randomizados com 5.463 pacientes — 17 deles sobre ansiedade e 14 sobre depressão. Certeza moderada.Zandieh et al. (2024), CMAJ
Vínculo terapêutico por vídeoSem diferença estatística na aliança terapêutica entre vídeo e presencial, avaliada por pacientes (SMD −0,09) e por terapeutas (SMD 0,04).Seuling et al. (2023), J. Telemed. Telecare

Parte dos estudos de TCC remota para pânico não é randomizada (7 de 21). O resultado é consistente, mas a comparação direta com o presencial ainda se apoia em poucos ensaios.

Mesmo protocolo

A TCC para transtorno do pânico online segue a mesma estrutura do presencial: avaliação, formulação, exercícios entre sessões e medição por escalas.

Google Meet, com sigilo

Sessões por videochamada no Google Meet, com você em um espaço privado. O sigilo profissional vale igual ao do consultório.

Brasil e exterior

Atendimento em português para quem mora em qualquer estado do Brasil e para brasileiros que vivem fora do país.

Como funcionam o agendamento, a plataforma e o atendimento a quem mora fora do Rio: terapia online com TCC.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns.

O protocolo padrão é de 12 sessões individuais, realizadas em cerca de 12 a 14 semanas. Dependendo da evolução e da presença de agorafobia associada, pode ser combinada uma fase adicional de consolidação.

Sim. Atendo presencialmente em Botafogo, no Rio de Janeiro, e online pelo Google Meet para todo o Brasil e para brasileiros no exterior. A evidência mostra eficácia equivalente entre o formato individual presencial e a autoajuda online guiada por um profissional — já a autoajuda sem nenhuma orientação não mostrou o mesmo resultado (Papola et al., 2022).

Não necessariamente. Essa é uma decisão médica, tomada com um psiquiatra, separada da psicoterapia. A TCC isolada já tem eficácia consistente, e os dados sugerem que seus ganhos tendem a se manter melhor depois que o tratamento termina — a combinação com medicação pode ajudar em quadros mais intensos, mas é avaliada caso a caso.

Não um ataque completo. Os exercícios de exposição interoceptiva provocam versões breves e controladas das sensações físicas — como tontura ou falta de ar — em ambiente seguro, com o único objetivo de mostrar ao seu corpo, na prática, que elas não são perigosas.

Um ataque de pânico isolado pode acontecer com qualquer pessoa, sem se repetir. O Transtorno do Pânico exige ataques recorrentes somados a pelo menos um mês de medo persistente de uma nova crise, ou mudança de comportamento por causa dela — veja a tabela comparativa mais acima.

É comum que sensações físicas voltem a aparecer em momentos de estresse — isso não significa que o tratamento falhou. A última fase do tratamento inclui a construção de um plano de crise escrito, com as ferramentas específicas aprendidas, para usar exatamente nesses momentos.

Funciona nos dois casos. A estrutura central do tratamento é a mesma; quando há agorafobia, a fase de exposição in vivo simplesmente se amplia para incluir os lugares e situações evitados.

Porque, no momento da crise, a ativação fisiológica intensa sequestra a avaliação racional — o medo é sentido no corpo antes de ser processado pela razão. É exatamente essa lacuna entre 'saber' e 'sentir' que a exposição interoceptiva treina, criando uma sensação real de segurança, não apenas intelectual.

Sim, diretamente. Ela é um dos elos do ciclo do pânico (interpretação catastrófica e hipervigilância), e é abordada tanto na reestruturação cognitiva quanto na exposição interoceptiva.

As revisões mais recentes mostram eficácia parecida entre os formatos individual e em grupo, mas o formato individual tem a evidência mais específica para pânico com agorafobia associada (Papola et al., 2022, British Journal of Psychiatry). É por isso que meu protocolo é estruturado no formato individual.

Muitas pessoas deixam de ter crises depois de um tratamento bem feito, mas nenhum profissional pode prometer cura. A TCC é a psicoterapia mais estudada para o pânico e a que tem os melhores resultados de remissão no curto e no longo prazo (Pompoli et al., 2016, Cochrane). O tratamento termina com um plano escrito para os momentos de estresse.

Não há uma causa única. Costumam se somar uma sensibilidade maior às sensações do corpo, períodos de estresse intenso e o aprendizado de que certas sensações são perigosas. A primeira crise muitas vezes aparece numa fase difícil; o que transforma crises em síndrome é o medo de novas crises e a esquiva que vem depois.

Evitar lugares e sensações, checar o corpo o tempo todo, depender de comportamentos de segurança (só sair acompanhado, carregar remédio 'por garantia'), excesso de cafeína, privação de sono e álcool. A esquiva alivia na hora, mas ensina ao cérebro que o perigo era real.

Em muitas pessoas o quadro se mantém ou piora: a esquiva se amplia, pode surgir agorafobia, e aumentam as chances de depressão e de uso de álcool ou remédios para aliviar o medo. Por isso vale procurar avaliação cedo, mesmo quando as crises parecem 'administráveis'.

Dê nome ao que está acontecendo, fique onde está se for seguro, deixe a onda subir e descer (o pico vem em até 10 minutos) e leve a atenção para fora, para o que você vê e ouve. O passo a passo completo está na seção 'Crise agora', no início desta página. Se for a primeira vez ou houver dor forte no peito, procure atendimento médico.

É um transtorno de ansiedade reconhecido nas classificações médicas: código F41.0 na CID-10 e 6B01 na CID-11, com o nome de transtorno do pânico. 'Síndrome do pânico' é o nome popular. Ter o diagnóstico não significa fraqueza nem 'loucura'; é um quadro comum e tratável.
Retrato profissional do psicólogo Maurício Araújo

Quem escreve este conteúdo

Conheça o terapeuta

Sou Maurício Araújo, psicólogo (CRP 05/80169), especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, membro associado da ATC-Rio e da FBTC. Atendo adultos com Transtorno do Pânico em Botafogo (Rio de Janeiro) e online para todo o Brasil.

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