Vale separar dois tipos de achado que às vezes são confundidos na divulgação sobre o método: pesquisa sobre previsão (o quanto os padrões observados num casal indicam risco futuro de separação) e pesquisa sobre resultado de tratamento (o quanto um programa baseado no método muda esses padrões). Os dois têm valor, mas respondem perguntas diferentes.
Pesquisa de base: o modelo preditivo
| Estudo | Achado |
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| Gottman & Levenson (1992) | Em 73 casais acompanhados por 4 anos, um “modelo em cascata” de defensividade, emoção negativa e esquiva diferenciou casais com maior risco de dissolução — base do modelo dos Quatro Cavaleiros. |
| Gottman & Levenson (1999) | A partir de variáveis afetivas observadas em duas conversas do casal, foi possível prever separação em 4 anos com 82,6% de acerto (conversa de conflito) e 92,7% (conversa de retomada positiva após o conflito). |
Pesquisa de resultado: programas baseados no método
| Estudo | Achado |
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| Kong (2005), ensaio controlado randomizado | 36 casais em um programa de 8 semanas baseado na teoria da “casa conjugal sólida” de Gottman apresentaram melhora significativa em satisfação marital, afeto positivo e regulação de conflito, frente a 35 casais no grupo controle. |
| Backhaus et al. (2018), ensaio controlado randomizado | Programa para casais em que um dos parceiros teve lesão cerebral, adaptando o referencial dos Quatro Cavaleiros, mostrou melhora significativa no ajustamento diádico frente ao grupo em lista de espera. |
Os números de 1999 (82,6%/92,7%) vêm de um estudo sobre capacidade preditiva de um modelo observacional — não são uma taxa de sucesso de tratamento, e não devem ser lidos como “a terapia funciona em X% dos casos”. Para resultado direto de tratamento, as evidências mais diretas seguem sendo estudos menores e populações específicas (acima); é uma área com menos ensaios clínicos randomizados de grande porte do que a psicoterapia baseada em TCC para transtornos individuais.
Fontes: Gottman, J.M. & Levenson, R.W. (1992). Journal of Personality and Social Psychology, 63(2), 221-233. DOI: 10.1037/0022-3514.63.2.221 · Gottman, J.M. & Levenson, R.W. (1999). Family Process, 38(3), 287-292. DOI: 10.1111/j.1545-5300.1999.00287.x · Kong, S.S. (2005). Journal of Korean Academy of Nursing, 35(6), 991-1003. DOI: 10.4040/jkan.2005.35.6.991 · Backhaus, S. et al. (2018). Archives of Physical Medicine and Rehabilitation, 100(2), 195-204. DOI: 10.1016/j.apmr.2018.08.174