Terapia individual · Foco em relacionamentos
Toda relação tem uma arquitetura.
Você não precisa estar em crise, nem levar ninguém junto, para entender por que certos padrões se repetem nas suas relações. Duas décadas de pesquisa sobre o que sustenta ou corrói um vínculo dão nome a esses padrões — e é o seu papel neles, não o do outro, que dá para trabalhar em terapia individual.
Resposta direta
Terapia individual com foco em relacionamentos usa o conteúdo do Método Gottman — desenvolvido pelos psicólogos John Gottman e Julie Schwartz Gottman a partir de décadas de observação sistemática de casais em laboratório — não como terapia de casal, mas como um mapa para você entender seu próprio papel nos padrões que se repetem nas suas relações: os “Quatro Cavaleiros” que corroem um vínculo, e as práticas da “Casa do Relacionamento Sólido” que o sustentam.
Você não precisa estar em uma relação agora para fazer esse trabalho. Serve tanto para quem quer entender por que os relacionamentos costumam seguir o mesmo roteiro, quanto para quem está numa relação atual e quer mudar sua parte nela — sozinho(a), sem que o processo dependa da presença ou da adesão do outro a uma psicoterapia de casal.
O que é o Método Gottman — e por que uso em terapia individual
John e Julie Gottman passaram décadas filmando conversas reais de casais — inclusive discussões de conflito — em um laboratório que ficou conhecido como “Love Lab”, codificando segundo a segundo expressões faciais, tom de voz e conteúdo verbal.
A pergunta original de pesquisa não era “o que é amor”, mas algo mais tratável cientificamente: observando um casal conversar por poucos minutos, é possível prever, com mais precisão do que o acaso, se essa relação vai se manter estável ou caminhar para a separação? A resposta, replicada em diferentes coortes de casais ao longo dos anos, foi sim — e os padrões que carregam esse poder preditivo (mais do que renda, personalidade ou tempo de relação) são específicos e nomeáveis.
O método nasceu como terapia de casal, mas o conteúdo é igualmente útil sozinho, em terapia individual — porque metade de cada um desses padrões é sua parte, treinável independentemente do que a outra pessoa faz ou de ela estar na sala. Isso é o que separa esse trabalho de um conselho genérico de “se comunique melhor”: ele nomeia exatamente qual comportamento seu tende a corroer uma relação e qual tende a sustentá-la — e é sobre isso que esta página é organizada, das duas pontas: os padrões que você talvez repita e que destroem teu relacionamento (os Quatro Cavaleiros) e os comportamentos que você pode praticar e que sustentam um relacionamento saudável (a Casa do Relacionamento Sólido).
130
casais recém-casados acompanhados no estudo que testou 7 modelos concorrentes de previsão de estabilidade conjugal
Gottman, Coan, Carrère & Swanson (1998), Journal of Marriage and the Family
45,7
divórcios para cada 100 casamentos registrados no Brasil em 2024 — um retrato de quão comum é a relação a dois passar por crise real
IBGE, Estatísticas do Registro Civil 2024
1972
ano em que John Gottman inicia, com Robert Levenson, as observações longitudinais de casais que dariam origem ao método
Gottman & Levenson (1992), Journal of Personality and Social Psychology
O que a maioria entende errado sobre trabalhar seus padrões de relacionamento
Mito
Sem o outro na sala, não dá para trabalhar a relação em terapia.
Fato
Metade de qualquer padrão de relacionamento é sua. Como você inicia uma queixa, como reage a crítica, se você se retrai ou se conecta — nada disso depende do outro estar na sala. É treinável sozinho, e muda a dinâmica mesmo sem o parceiro participar.
Mito
Se fosse a pessoa certa, a relação não exigiria tanto esforço.
Fato
Toda relação de longo prazo é, em parte, trabalho contínuo. “Compatibilidade” não é um estado fixo encontrado de uma vez — é construída e renovada por práticas específicas, e a sua parte nisso é algo que você pode desenvolver independentemente de quem for o parceiro.
Mito
Só faz sentido procurar ajuda quando já se está numa relação em crise.
Fato
Entender seus próprios padrões antes da próxima relação — ou no meio dela, sem esperar uma crise — tende a exigir menos tempo e produzir mudanças mais estáveis do que tentar corrigir um padrão já consolidado sob pressão.
Mito
Se eu sempre “caio” no mesmo tipo de relação difícil, é falta de sorte ou de opções.
Fato
Padrões que se repetem entre relações diferentes costumam ter mais a ver com o que a pessoa traz para a relação do que com quem ela escolhe — e é exatamente esse é o tipo de repetição que fica visível e trabalhável em terapia individual.
Os padrões que corroem
Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse
É como Gottman nomeou os quatro estilos de comunicação com maior poder de prever, sozinhos, a deterioração de uma relação. A pergunta útil aqui não é “qual meu parceiro usa mais”, e sim qual você usa mais — é a parte que dá para mudar sem depender de ninguém.
O que sustenta
A Casa do Relacionamento Sólido
O modelo central do método: sete níveis que se apoiam uns nos outros, como uma construção — mais a confiança e o compromisso, que funcionam como as paredes que atravessam todos os andares. Em terapia individual, cada andar vira uma pergunta sobre a sua própria prática nas relações que você tem ou já teve.
O que os dados mostram
Prever não é destino — é ponto de partida
Ao testar sete modelos concorrentes de observação de interação conjugal em 130 casais recém-casados, o modelo vencedor previu corretamente qual casal permaneceria estável ou se separaria, e qual seria o nível de satisfação relatado, com esta acurácia — a partir de comportamentos específicos e observáveis durante um conflito real, não de personalidade ou tempo de relacionamento. É esse o tipo de comportamento específico — o seu, não o do outro — que dá para reconhecer e mudar sozinho, em terapia individual.
Gottman, Coan, Carrère & Swanson (1998), Journal of Marriage and the Family, 60(1), 5–22. DOI: 10.2307/353438
Autoteste reflexivo
Como está a sua arquitetura de relacionamento?
Sem pontuação, sem diagnóstico — só oito perguntas para refletir sobre a sua parte, antes (ou independentemente) de uma primeira conversa em terapia. Se você não está numa relação agora, responda pensando na mais recente ou no que costuma se repetir.
0 de 8 marcadas
Não é uma pontuação diagnóstica — é só um espelho rápido. Poucas marcações não significam relação em risco, e não substituem uma avaliação com um profissional.
Minha abordagem
TCC individual, com a lente do Método Gottman
Trabalho seus padrões de relacionamento combinando duas tradições complementares: a estrutura da Terapia Cognitivo-Comportamental para identificar e reformular pensamentos e comportamentos seus que alimentam o conflito ou a repetição, e o conteúdo específico do Método Gottman para nomear, com precisão, o que na sua parte fortalece ou corrói uma relação — sem que o processo dependa de trazer o parceiro(a) para a sala.
Avaliação individual
Levantamento da sua história de relacionamentos — o que se repete, com quem, em que momento — para identificar padrões que atravessam relações diferentes, não só a mais recente.
Trabalho sobre os Quatro Cavaleiros
Identificação de qual dos quatro padrões você mais usa sob estresse, com treino ativo do antídoto correspondente a partir de situações reais que você traz para a sessão.
Construção da sua Casa
Trabalho progressivo pelos sete níveis — de mapas de amor e admiração até significado compartilhado — como prática sua, entre as sessões, dentro da relação que você tiver (ou na próxima).
Estrutura do processo
Como as sessões se organizam
Efetividade
O que a pesquisa mostra — sem exagero
As quatro fontes abaixo estudaram casais, não terapia individual — é importante dizer isso com clareza. O que elas sustentam é a validade dos padrões em si (o que corrói e o que fortalece uma relação); a aplicação em terapia individual, focada em mudar a sua parte desses padrões, é uma extensão clínica desse conteúdo, não algo testado à parte nesses estudos.
| Ano | Achado | Fonte |
|---|---|---|
| 1992 | Casais cuja interação era predominantemente “regulada” — com mais expressão emocional positiva e menos negativa, defensividade e retraimento — apresentaram, em acompanhamento longitudinal, maior satisfação conjugal e menor risco de dissolução do que casais “não regulados”. Estudo com 73 casais avaliados em 1983 e novamente em 1987, usando uma teoria de equilíbrio para classificar os padrões de interação observados. | Gottman, J. M., & Levenson, R. W. (1992). Marital processes predictive of later dissolution: behavior, physiology, and health. Journal of Personality and Social Psychology, 63(2), 221–233. DOI: 10.1037/0022-3514.63.2.221 Ver DOI |
| 1998 | Entre sete modelos concorrentes de previsão testados em 130 casais recém-casados, o modelo baseado nos padrões de afeto e nos Quatro Cavaleiros previu com 83% de acurácia se o casal permaneceria estável ou se separaria, e com 80% de acurácia o nível de satisfação conjugal relatado. | Gottman, J. M., Coan, J., Carrère, S., & Swanson, C. (1998). Predicting marital happiness and stability from newlywed interactions. Journal of Marriage and the Family, 60(1), 5–22. DOI: 10.2307/353438 Ver DOI |
| 1999 | Analisando apenas os 3 primeiros minutos de uma discussão de conflito entre 124 casais recém-casados, foi possível prever o desfecho da relação (estável ou dissolvida) 6 anos depois — a forma como uma conversa difícil começa já carrega informação preditiva relevante. | Carrère, S., & Gottman, J. M. (1999). Predicting divorce among newlyweds from the first three minutes of a marital conflict discussion. Family Process, 38(3), 293–301. DOI: 10.1111/j.1545-5300.1999.00293.x Ver DOI |
| 2018 | Dezesseis casais que passaram por 10 sessões de 45 minutos de terapia de casal no Método Gottman apresentaram melhora estatisticamente significativa (p = 0,001) no ajustamento conjugal e na intimidade, comparados a um grupo controle — ganho que se manteve no acompanhamento posterior. | Davoodvandi, M., Navabi Nejad, S., & Farzad, V. (2018). Examining the Effectiveness of Gottman Couple Therapy on Improving Marital Adjustment and Couples' Intimacy. Iranian Journal of Psychiatry, 13(2), 135–141. PMC6037577. |
Nota sobre o estado da evidência
Uma revisão sistemática recente, que atualizou os critérios usados pela American Psychological Association para classificar tratamentos com suporte empírico em terapia de casal, avaliou 40 estudos de sete modelos — incluindo o Método Gottman — e concluiu que nenhum modelo de terapia de casal atinge hoje o padrão de “forte suporte empírico”; o Método Gottman está entre os sete com suporte “modesto”, limitado sobretudo pelo tamanho amostral dos estudos disponíveis e pela falta de replicação independente. Isso não invalida o método — é o retrato honesto de um campo que, como boa parte da pesquisa em psicoterapia, ainda precisa de estudos maiores e mais diversos.
Jackson, J. B., Codecá, L., Miller, R. B., Simpson, J. E., O'Leary, A. M., & Renner, S. M. (2026). Empirically Supported Couple Therapy Models for Couple Relationship Distress: A Replication and Update. Journal of Marital and Family Therapy, 52(4), e70162. DOI: 10.1111/jmft.70162

Quem conduz o tratamento
Conheça o terapeuta
Maurício Araújo
Psicólogo · Especialista em TCC
Psicólogo formado pela UNESA, com formação complementar em Comunicação pela USP. Atua com Terapia Cognitivo-Comportamental, atendendo indivíduos e casais presencialmente em Botafogo, Rio de Janeiro, e online para todo o Brasil.
- CRP 05/80169
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Perguntas frequentes
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Próximo passo
Sua parte nos seus relacionamentos pode ser trabalhada agora, sozinho(a) — antes que o padrão se repita mais uma vez.
Esta página é informativa e não substitui uma avaliação clínica individual. Psicoterapia não é serviço de emergência: em situação de risco imediato, procure o SAMU (192) ou o CVV (188).