Relacionamentos · Término

Como superar um término: o que ajuda, segundo a psicologia.

Para quem está no meio da dor de um fim, tenha sido escolha sua ou não. Nesta página: por que dói tanto, o que os estudos mostram que ajuda e atrapalha, um plano para os próximos 30 dias e quando procurar terapia.

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Resposta direta

Superar um término leva tempo e não segue uma linha reta. Ajuda reduzir o contato com o ex e com o que ele posta, cuidar do sono e da rotina, retomar a própria vida e olhar a relação de forma realista. Se depois de semanas a tristeza ocupa quase todo o dia, o sono ou o trabalho, é hora de procurar ajuda profissional. Atendo em Botafogo, no Rio de Janeiro, e online. Maurício Araújo, psicólogo, CRP 05/80169.

Por que dói tanto

Um término são várias perdas ao mesmo tempo.

Não é só a pessoa que vai embora. Entender o que você perdeu ajuda a dar nome à dor, e o que tem nome fica mais fácil de atravessar.

Perda de rotina

Mensagens, planos, a pessoa com quem você dividia o dia. O cérebro estranha a falta de hábitos que funcionavam como apoio.

Perda de identidade

Parte de quem você era estava ligada à relação: o “nós”, os amigos em comum, os planos. É comum sentir que não sabe mais quem é.

Perda de futuro

Junto com a pessoa vão embora a casa, os filhos imaginados, a viagem. Esse luto do que não vai acontecer costuma ser o mais silencioso.

Rejeição

Quando o fim não foi escolha sua, ele toca no medo de não ser suficiente. Se esse medo já existia, a dor costuma ser maior.

A pergunta mais feita

Quanto tempo leva para passar?

Não existe um número certo, e desconfie de quem promete um. O tempo depende da duração e do significado da relação, de como foi o fim, do apoio que você tem e de quanto o término tocou em feridas antigas, como o medo de abandono.

Um sinal melhor do que o calendário: você ainda pensa no ex, mas com menos dor, e a sua vida volta a ocupar mais espaço do que a ausência dele. As recaídas, como uma data, uma música ou uma notícia, fazem parte e não significam voltar à estaca zero.

O que dizem os estudos

O que ajuda e o que atrapalha.

Ajuda

  • Reduzir o contato com o ex, ao menos por um tempo, quando não há filhos ou assuntos práticos em comum.
  • Silenciar ou deixar de seguir o perfil do ex nas redes.
  • Manter horários de sono, alimentação e algum exercício.
  • Retomar amigos, família e atividades que eram suas antes da relação.
  • Olhar a relação de forma realista, com o que era bom e o que não era.

Atrapalha

  • Checar o que o ex posta ou com quem anda.
  • Repassar a relação em busca do erro exato que causou o fim.
  • Idealizar a relação, lembrando só do que era bom.
  • Usar álcool ou outra relação logo em seguida para não sentir.

438

pessoas após um término: manter contato com o ex se associou a mais ansiedade e depressão

464

participantes: vigiar o ex nas redes se associou a mais sofrimento e saudade

2

estratégias testadas que reduziram a atenção automática ao ex: repensar a relação e se distrair

Fontes: McClung et al. (2026); Marshall (2012); Langeslag & Sanchez (2018).

PerguntaO que o estudo mostraFonte
Contato com o exEm 438 pessoas que tinham passado por um término, manter contato com o ex se associou a mais ansiedade e mais sintomas depressivos. Estudo transversal: mostra associação, não causa.McClung et al. (2026), J. Sex Marital Ther.
Acompanhar o ex nas redesEm 464 participantes, vigiar o perfil do ex no Facebook se associou a mais sofrimento com o término, mais saudade e desejo pelo ex e menos crescimento pessoal, mesmo descontando o contato fora da internet.Marshall (2012), Cyberpsychol. Behav. Soc. Netw.
Repensar o ex e se distrairEm experimento, pensar de forma realista nos defeitos do ex e da relação diminuiu o sentimento amoroso, mas deixou as pessoas mais desconfortáveis no momento. Distrair-se melhorou o humor sem mudar o amor. As duas estratégias reduziram a atenção automática ao ex.Langeslag & Sanchez (2018), J. Exp. Psychol. Gen.
Pensamentos sobre o exPensamentos positivos e idealizados sobre a relação que acabou tenderam a atrapalhar a recuperação e se associaram a mais sofrimento e preocupação com o ex.Brenner & Vogel (2015), J. Couns. Psychol.

Leitura honesta dos dados

A maioria desses estudos é transversal e foi feita com jovens adultos, muitos deles universitários. Eles mostram associações, não provam causa, e podem não valer igualmente para o fim de um casamento longo. Mesmo assim, apontam na mesma direção que a prática clínica: menos exposição ao ex e mais vida própria ajudam.

Para levar com você

Seu plano para os próximos 30 dias.

Quatro decisões que tiram o peso de decidir tudo de novo a cada noite difícil. Nada do que você escolhe sai desta página.

Monte o seu plano

Escolha o que cabe na sua vida agora. Um plano pequeno que você cumpre vale mais do que um plano perfeito.

Contato com o ex
Redes sociais
Rotina que protege
Apoio

Seu plano

Escolha pelo menos uma opção para montar o plano.

Se depois de algumas semanas a tristeza ocupa quase todo o dia, o sono ou o apetite mudaram muito, ou surgem pensamentos de que a vida não vale a pena, procure ajuda. O CVV atende no 188, 24 horas, de graça.

Diferencial

Luto amoroso ou depressão?

Um término pode desencadear um episódio depressivo, principalmente em quem já teve depressão antes. Estes sinais ajudam a diferenciar.

Mais típico do lutoSinal de que pode ser depressão
Tristeza que vem em ondas e aos poucos fica mais espaçadaTristeza ou vazio quase o dia inteiro, quase todos os dias, por semanas
Ainda consegue sentir prazer em algumas coisasPerda de interesse por quase tudo
Sono e apetite oscilam, mas voltamSono e apetite muito alterados por semanas
Pensa muito no ex, mas segue a rotinaDificuldade de trabalhar, estudar ou cuidar de si
Culpa e raiva ligadas ao términoSensação de não ter valor, ou pensamentos de que a vida não vale a pena

Se a coluna da direita parece com você, veja tratamento para depressão ou faça o teste de rastreio PHQ-9.

Quando o fim é um divórcio

Separar depois de anos.

Em 2024, o Brasil registrou 428,3 mil divórcios, e o tempo médio entre o casamento e o divórcio foi de 13,8 anos, segundo as Estatísticas do Registro Civil do IBGE. Depois de tanto tempo, o fim mexe em casa, dinheiro, amizades, família e, muitas vezes, filhos.

Ajuda separar os papéis: o casal acabou, a parceria como pais continua. A terapia individual apoia o luto e as decisões; uma mediação pode organizar os acordos práticos. Se ainda há dúvida sobre terminar, a terapia de casal também ajuda casais a decidir com clareza.

Quando procurar ajuda

Quando o término pede terapia.

  • A dor não diminui depois de algumas semanas, ou piora.
  • O término atrapalha o trabalho, os estudos, o sono ou o cuidado consigo.
  • Você volta repetidamente para a mesma relação, mesmo sabendo que faz mal.
  • Os seus términos seguem sempre o mesmo roteiro.
  • Surgem pensamentos de que a vida não vale a pena. Nesse caso, ligue para o CVV no 188 agora.

Na terapia, trabalhamos a ruminação, a rotina e a forma como você olha para a relação que acabou, com a Terapia Cognitivo-Comportamental. Quando o término repete um padrão, como dependência emocional ou a escolha do mesmo tipo de parceiro, o trabalho vai também à raiz, com a Terapia do Esquema. Outros temas estão em terapia para relacionamentos.

Quando procurar ajuda imediata

Se você está em perigo agora, ligue 190. Para orientação sobre violência na relação, o Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) funciona 24 horas, de graça. Se você está pensando em se machucar, ligue para o CVV no 188 (24 horas, gratuito) ou procure o SAMU no 192. Psicoterapia agendada não é serviço de emergência.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns.

Não existe atalho, mas há o que ajuda: reduzir o contato com o ex e o que ele posta, manter sono, alimentação e exercício, retomar amigos e atividades próprias e olhar a relação de forma realista, sem idealizar. Repassar a relação o tempo todo e vigiar as redes do ex tendem a atrasar a recuperação.

Não existe um número certo. Depende da duração e do significado da relação, de como foi o fim, do apoio que você tem e de quanto o término tocou em feridas antigas. O sinal de que está passando não é parar de pensar no ex, e sim pensar com menos dor e com mais espaço para a própria vida.

Sim, muita gente sente aperto no peito, nó na garganta, cansaço e alterações de sono e apetite. Se a dor no peito for forte ou vier com falta de ar, procure avaliação médica para descartar outras causas.

Na maioria dos casos, uma pausa de contato ajuda, porque cada conversa reabre a ferida e alimenta a esperança de volta. Quando há filhos, casa ou trabalho em comum, o contato pode ficar restrito a assuntos práticos, por escrito e curto. O plano desta página ajuda a decidir.

É muito comum. Terminar não significa não sofrer: quem termina também perde a rotina, os planos e a pessoa. A culpa costuma diminuir quando você consegue ver a decisão com clareza, incluindo o que não funcionava. Se ela não passa, vale conversar sobre isso em terapia.

No luto, a tristeza vem em ondas, fica mais espaçada com o tempo e você ainda consegue sentir prazer em algumas coisas. Na depressão, a tristeza ou o vazio ocupam quase o dia todo, por semanas, com perda de interesse, mudanças fortes no sono e no apetite e sensação de não ter valor. Se for o caso, a página sobre depressão explica o tratamento.

Quando a dor não diminui depois de algumas semanas, quando atrapalha o trabalho, o sono ou o cuidado consigo, quando você volta repetidamente para a mesma relação ou repete o mesmo tipo de término. Pensamentos de se machucar pedem ajuda imediata: CVV no 188.

Ajuda a atravessar o luto sem se perder nele: lidar com a ruminação, reorganizar a rotina, rever a relação de forma realista e reconstruir a identidade fora dela. Quando o término repete um padrão, como dependência emocional ou a escolha do mesmo tipo de parceiro, o trabalho vai também à raiz desse padrão.

Além do luto, há decisões práticas e a convivência como pais. Ajuda separar os dois papéis: o casal acabou, a parceria como pais continua. A terapia individual apoia esse processo, e uma mediação pode organizar acordos práticos.

Atendo no Instituto InMind, na Rua Real Grandeza, 108, em Botafogo, e online para todo o Brasil e brasileiros no exterior. O valor é informado pelo WhatsApp, com nota fiscal para reembolso do plano de saúde.
Retrato profissional do psicólogo Maurício Araújo

Quem escreve este conteúdo

Conheça o terapeuta

Sou Maurício Araújo, psicólogo (CRP 05/80169), especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, com extensão em Terapia Sistêmica Vivencial e Terapia Familiar, membro associado da ATC-Rio e da FBTC. Atendo adultos e casais no Instituto InMind, em Botafogo, no Rio de Janeiro, e online para todo o Brasil e brasileiros no exterior. No trabalho com relacionamentos, uso a TCC, a Terapia do Esquema e os estudos sobre apego e comunicação no casal. O registro pode ser conferido no Cadastro Nacional de Psicólogos.

Formação e trajetória

Fontes

  1. McClung et al. (2026), J. Sex Marital Ther.. doi.org/10.1080/0092623X.2026.2628652
  2. Marshall (2012), Cyberpsychol. Behav. Soc. Netw.. doi.org/10.1089/cyber.2012.0125
  3. Langeslag & Sanchez (2018), J. Exp. Psychol. Gen.. doi.org/10.1037/xge0000360
  4. Brenner & Vogel (2015), J. Couns. Psychol.. doi.org/10.1037/cou0000073
  5. IBGE, Estatísticas do Registro Civil 2024, conforme divulgado pelo IBDFAM. ibdfam.org.br/noticias/13484

Conteúdo informativo, revisado em 12/10/2026. Não substitui uma avaliação individual.

Você não precisa atravessar isso sozinho(a).

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