Perda de rotina
Mensagens, planos, a pessoa com quem você dividia o dia. O cérebro estranha a falta de hábitos que funcionavam como apoio.
Relacionamentos · Término
Para quem está no meio da dor de um fim, tenha sido escolha sua ou não. Nesta página: por que dói tanto, o que os estudos mostram que ajuda e atrapalha, um plano para os próximos 30 dias e quando procurar terapia.
Por Maurício Araújo, psicólogo (CRP 05/80169) · Revisado em
Resposta direta
Superar um término leva tempo e não segue uma linha reta. Ajuda reduzir o contato com o ex e com o que ele posta, cuidar do sono e da rotina, retomar a própria vida e olhar a relação de forma realista. Se depois de semanas a tristeza ocupa quase todo o dia, o sono ou o trabalho, é hora de procurar ajuda profissional. Atendo em Botafogo, no Rio de Janeiro, e online. Maurício Araújo, psicólogo, CRP 05/80169.
Por que dói tanto
Não é só a pessoa que vai embora. Entender o que você perdeu ajuda a dar nome à dor, e o que tem nome fica mais fácil de atravessar.
Mensagens, planos, a pessoa com quem você dividia o dia. O cérebro estranha a falta de hábitos que funcionavam como apoio.
Parte de quem você era estava ligada à relação: o “nós”, os amigos em comum, os planos. É comum sentir que não sabe mais quem é.
Junto com a pessoa vão embora a casa, os filhos imaginados, a viagem. Esse luto do que não vai acontecer costuma ser o mais silencioso.
Quando o fim não foi escolha sua, ele toca no medo de não ser suficiente. Se esse medo já existia, a dor costuma ser maior.
A pergunta mais feita
Não existe um número certo, e desconfie de quem promete um. O tempo depende da duração e do significado da relação, de como foi o fim, do apoio que você tem e de quanto o término tocou em feridas antigas, como o medo de abandono.
Um sinal melhor do que o calendário: você ainda pensa no ex, mas com menos dor, e a sua vida volta a ocupar mais espaço do que a ausência dele. As recaídas, como uma data, uma música ou uma notícia, fazem parte e não significam voltar à estaca zero.
O que dizem os estudos
438
pessoas após um término: manter contato com o ex se associou a mais ansiedade e depressão
464
participantes: vigiar o ex nas redes se associou a mais sofrimento e saudade
2
estratégias testadas que reduziram a atenção automática ao ex: repensar a relação e se distrair
Fontes: McClung et al. (2026); Marshall (2012); Langeslag & Sanchez (2018).
| Pergunta | O que o estudo mostra | Fonte |
|---|---|---|
| Contato com o ex | Em 438 pessoas que tinham passado por um término, manter contato com o ex se associou a mais ansiedade e mais sintomas depressivos. Estudo transversal: mostra associação, não causa. | McClung et al. (2026), J. Sex Marital Ther. |
| Acompanhar o ex nas redes | Em 464 participantes, vigiar o perfil do ex no Facebook se associou a mais sofrimento com o término, mais saudade e desejo pelo ex e menos crescimento pessoal, mesmo descontando o contato fora da internet. | Marshall (2012), Cyberpsychol. Behav. Soc. Netw. |
| Repensar o ex e se distrair | Em experimento, pensar de forma realista nos defeitos do ex e da relação diminuiu o sentimento amoroso, mas deixou as pessoas mais desconfortáveis no momento. Distrair-se melhorou o humor sem mudar o amor. As duas estratégias reduziram a atenção automática ao ex. | Langeslag & Sanchez (2018), J. Exp. Psychol. Gen. |
| Pensamentos sobre o ex | Pensamentos positivos e idealizados sobre a relação que acabou tenderam a atrapalhar a recuperação e se associaram a mais sofrimento e preocupação com o ex. | Brenner & Vogel (2015), J. Couns. Psychol. |
Leitura honesta dos dados
Para levar com você
Quatro decisões que tiram o peso de decidir tudo de novo a cada noite difícil. Nada do que você escolhe sai desta página.
Monte o seu plano
Escolha o que cabe na sua vida agora. Um plano pequeno que você cumpre vale mais do que um plano perfeito.
Seu plano
Escolha pelo menos uma opção para montar o plano.
Se depois de algumas semanas a tristeza ocupa quase todo o dia, o sono ou o apetite mudaram muito, ou surgem pensamentos de que a vida não vale a pena, procure ajuda. O CVV atende no 188, 24 horas, de graça.
Diferencial
Um término pode desencadear um episódio depressivo, principalmente em quem já teve depressão antes. Estes sinais ajudam a diferenciar.
| Mais típico do luto | Sinal de que pode ser depressão |
|---|---|
| Tristeza que vem em ondas e aos poucos fica mais espaçada | Tristeza ou vazio quase o dia inteiro, quase todos os dias, por semanas |
| Ainda consegue sentir prazer em algumas coisas | Perda de interesse por quase tudo |
| Sono e apetite oscilam, mas voltam | Sono e apetite muito alterados por semanas |
| Pensa muito no ex, mas segue a rotina | Dificuldade de trabalhar, estudar ou cuidar de si |
| Culpa e raiva ligadas ao término | Sensação de não ter valor, ou pensamentos de que a vida não vale a pena |
Se a coluna da direita parece com você, veja tratamento para depressão ou faça o teste de rastreio PHQ-9.
Quando o fim é um divórcio
Em 2024, o Brasil registrou 428,3 mil divórcios, e o tempo médio entre o casamento e o divórcio foi de 13,8 anos, segundo as Estatísticas do Registro Civil do IBGE. Depois de tanto tempo, o fim mexe em casa, dinheiro, amizades, família e, muitas vezes, filhos.
Ajuda separar os papéis: o casal acabou, a parceria como pais continua. A terapia individual apoia o luto e as decisões; uma mediação pode organizar os acordos práticos. Se ainda há dúvida sobre terminar, a terapia de casal também ajuda casais a decidir com clareza.
Quando procurar ajuda
Na terapia, trabalhamos a ruminação, a rotina e a forma como você olha para a relação que acabou, com a Terapia Cognitivo-Comportamental. Quando o término repete um padrão, como dependência emocional ou a escolha do mesmo tipo de parceiro, o trabalho vai também à raiz, com a Terapia do Esquema. Outros temas estão em terapia para relacionamentos.
Quando procurar ajuda imediata
Se você está em perigo agora, ligue 190. Para orientação sobre violência na relação, o Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) funciona 24 horas, de graça. Se você está pensando em se machucar, ligue para o CVV no 188 (24 horas, gratuito) ou procure o SAMU no 192. Psicoterapia agendada não é serviço de emergência.
Perguntas frequentes

Quem escreve este conteúdo
Sou Maurício Araújo, psicólogo (CRP 05/80169), especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, com extensão em Terapia Sistêmica Vivencial e Terapia Familiar, membro associado da ATC-Rio e da FBTC. Atendo adultos e casais no Instituto InMind, em Botafogo, no Rio de Janeiro, e online para todo o Brasil e brasileiros no exterior. No trabalho com relacionamentos, uso a TCC, a Terapia do Esquema e os estudos sobre apego e comunicação no casal. O registro pode ser conferido no Cadastro Nacional de Psicólogos.
Formação e trajetóriaFontes
Conteúdo informativo, revisado em 12/10/2026. Não substitui uma avaliação individual.
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