Terapia do Esquema: o que é, para quem serve e como funciona
Para padrões que vêm de longe e se repetem: autocobrança, medo de ser deixado(a), dificuldade de dizer não, sensação de vazio. Nesta página: se ela serve para você, como é o tratamento, os 18 esquemas no dia a dia e o que dizem os estudos.
A Terapia do Esquema é uma psicoterapia para padrões emocionais que começam cedo e se repetem na vida adulta, como autocobrança, medo de abandono ou dificuldade de dizer não. Criada por Jeffrey Young a partir da TCC, ela soma técnicas emocionais e a teoria do apego. A evidência é mais forte nos transtornos de personalidade. Uso a Terapia do Esquema de forma integrada à TCC, em Botafogo (RJ) e online. Maurício Araújo, psicólogo, CRP 05/80169.
Para começar
Você se reconhece?
Quem procura a Terapia do Esquema raramente chega dizendo “tenho um esquema”. Chega com frases como estas.
Marque o que parece com você
Marque as frases que descrevem você. Não existe resposta certa.
Não é diagnóstico. Nada sai desta página.
Indicação
Para quem é, e quando outra coisa vem antes.
Costuma ajudar quando há
✓Padrões antigos que se repetem: no amor, no trabalho, na família.
✓Autocobrança, autossabotagem, dificuldade de dizer não, sensação de vazio.
✓Transtorno de personalidade borderline e outros transtornos de personalidade.
✓Depressão crônica ou que volta, sobretudo quando vem junto com esses padrões.
✓Quem já fez terapia, melhorou os sintomas, mas sente que a raiz continua lá.
Outra coisa costuma vir antes
Crise ou risco agora: procure atendimento imediato: CVV 188, SAMU 192 ou a emergência mais próxima. Ver
Pânico, TOC ou fobias: a TCC com protocolo específico costuma vir primeiro; os esquemas entram depois, se houver padrões por trás. Saiba mais
Depressão grave: pode ser preciso começar pela avaliação psiquiátrica e por técnicas mais diretas. Saiba mais
Uso ativo de álcool ou drogas: o tratamento da dependência costuma vir antes ou junto.
As sessões são semanais, de 50 minutos, com metas combinadas. As fases abaixo se sobrepõem: não é preciso terminar uma para começar a outra.
01
Avaliação e mapa
Entender a sua história, os sintomas de hoje e quais esquemas e modos aparecem. Questionários clínicos podem ser usados nessa fase.
02
Psicoeducação
Dar nome ao padrão: de onde veio, o que o ativa, como ele se mantém. Só isso já costuma trazer alívio.
03
Técnicas cognitivas
Pesar, com fatos da sua vida, as crenças que o esquema sustenta, e montar cartões para usar quando ele ativar.
04
Técnicas de imagens e cadeiras
Revisitar lembranças e dar voz ao que faltou, para mudar a emoção ligada ao esquema, não só o pensamento.
05
Quebra de padrões
Testar, fora da sessão, outro jeito de agir: em quem confiar, o que aceitar, o que pedir, quando parar.
+
A relação terapêutica
Uma relação estável e acolhedora, dentro de limites profissionais, atende em parte o que faltou antes. Young chamou isso de reparentalização limitada.
Leitura honesta dos dados
Quanto tempo leva? Para um ou dois esquemas, sem transtorno de personalidade, costuma ser de alguns meses a cerca de um ano. Nos ensaios com transtornos de personalidade, foram de 50 sessões a 3 anos. O ritmo é revisto com você ao longo do caminho.
Comparar
TCC, Terapia do Esquema ou psicanálise?
A Terapia do Esquema é uma ampliação da TCC, não uma escola à parte. Ela não é psicanálise, embora também olhe para a infância. A tabela resume as diferenças mais comuns; cada profissional aplica a sua abordagem de um jeito.
TCC
Foco principal
Pensamentos e comportamentos que mantêm o problema hoje
Tempo
Presente
Na sessão
Estruturada: metas, técnicas e exercícios entre sessões
Relação com o terapeuta
Colaborativa, de trabalho em equipe
Duração típica
Semanas a poucos meses para muitos quadros
Onde a pesquisa é mais forte
Ansiedade, depressão, pânico, TOC, insônia e outros
Terapia do Esquema
Foco principal
Padrões antigos (esquemas) que se repetem, e de onde vieram
Tempo
Presente, com mergulho na infância e na adolescência
Na sessão
Estruturada, com técnicas cognitivas, de imagens e de cadeiras
Relação com o terapeuta
Parte ativa do tratamento: acolhe o que faltou, dentro de limites profissionais
Duração típica
Meses a anos, conforme o padrão
Onde a pesquisa é mais forte
Transtornos de personalidade, sobretudo borderline
Psicanálise
Foco principal
Conflitos inconscientes e a história de vida, pela fala livre
Tempo
Passado e presente, sem roteiro
Na sessão
Pouco estruturada: associação livre e interpretação
Relação com o terapeuta
Analisada como parte do processo (transferência)
Duração típica
Longa, em geral sem prazo definido
Onde a pesquisa é mais forte
Algumas condições; modelos psicodinâmicos breves têm estudos
Comparação entre TCC, Terapia do Esquema e psicanálise
TCC
Terapia do Esquema
Psicanálise
Foco principal
Pensamentos e comportamentos que mantêm o problema hoje
Padrões antigos (esquemas) que se repetem, e de onde vieram
Conflitos inconscientes e a história de vida, pela fala livre
Tempo
Presente
Presente, com mergulho na infância e na adolescência
Passado e presente, sem roteiro
Na sessão
Estruturada: metas, técnicas e exercícios entre sessões
Estruturada, com técnicas cognitivas, de imagens e de cadeiras
Pouco estruturada: associação livre e interpretação
Relação com o terapeuta
Colaborativa, de trabalho em equipe
Parte ativa do tratamento: acolhe o que faltou, dentro de limites profissionais
Analisada como parte do processo (transferência)
Duração típica
Semanas a poucos meses para muitos quadros
Meses a anos, conforme o padrão
Longa, em geral sem prazo definido
Onde a pesquisa é mais forte
Ansiedade, depressão, pânico, TOC, insônia e outros
Transtornos de personalidade, sobretudo borderline
Algumas condições; modelos psicodinâmicos breves têm estudos
Um esquema é um tema que se forma cedo, quando uma necessidade emocional básica não foi atendida, e que volta a ser ativado na vida adulta. Young agrupou os 18 esquemas em 5 domínios, um para cada necessidade. Toque em um domínio para filtrar.
Mostrando os 18 esquemas.
Desconexão e rejeição
Abandono / instabilidade
“As pessoas importantes vão embora, cedo ou tarde.”
Como costuma aparecer
Ciúme, medo de ficar sozinho(a), apego a quem é instável, terminar antes de ser deixado(a).
De onde costuma vir
Cuidadores imprevisíveis, perdas ou separações nos primeiros vínculos.
Ser duro(a) consigo e com os outros, dificuldade de perdoar falhas.
De onde costuma vir
Educação punitiva, pouca tolerância a erros.
As frases entre aspas são sínteses didáticas, não citações de pacientes. Modelo: Young, Klosko e Weishaar (2003).
Para pensar
Em quais domínios você mais se reconhece?
Duas frases por domínio. Marque as que descrevem você, mesmo que só um pouco.
Mapa reflexivo · 10 frases · não é teste
Desconexão e rejeição0 de 2
Autonomia e desempenho prejudicados0 de 2
Limites prejudicados0 de 2
Orientação para o outro0 de 2
Supervigilância e inibição0 de 2
Marque as frases que descrevem você, mesmo que só um pouco.
Não é diagnóstico nem o Questionário de Esquemas de Young, que é aplicado pelo psicólogo na avaliação. Nada sai desta página.
O que fazemos com o esquema
Estilos de enfrentamento e modos.
O mesmo esquema aparece de jeitos diferentes, e a mesma pessoa pode alternar entre eles. Por isso o padrão nem sempre é óbvio.
1
Render-se
Agir como se o esquema fosse verdade.
Com autossacrifício: aceitar mais uma tarefa, mesmo esgotado(a).
2
Evitar
Fugir do que ativa o esquema.
Com defectividade: não se candidatar à vaga para não ser avaliado(a).
3
Supercompensar
Fazer o oposto, com exagero.
Com fracasso: trabalhar sem parar para nunca mais se sentir incapaz.
Os modos: estados que se alternam
Em padrões mais intensos, como no borderline, o trabalho se organiza pelos modos: estados emocionais do momento, quase como partes que assumem o comando. O objetivo é fortalecer o adulto saudável.
Modos criança
Criança vulnerável
Tristeza, medo, solidão: a dor mais próxima da original. Ex.: sentir-se pequeno(a) e sozinho(a) depois de uma crítica.
Criança zangada
Raiva por necessidades não atendidas, que sai de forma descontrolada. Ex.: explodir por algo pequeno.
Criança impulsiva
Busca alívio imediato, sem pensar nas consequências. Ex.: gastar, comer ou mandar mensagens por impulso.
Modos de enfrentamento
Capitulador complacente
Cede ao esquema para evitar conflito. Ex.: concordar com tudo e depois se ressentir.
Protetor desligado
Desliga das emoções para não sentir. Ex.: piloto automático, telas ou trabalho sem parar.
Supercompensador
Vai ao extremo oposto. Ex.: controlar, atacar ou se mostrar superior.
Vozes internas
Crítico punitivo
A voz que humilha e castiga. Ex.: “você não presta” depois de um erro.
Crítico exigente
A voz que nunca está satisfeita. Ex.: “foi bom, mas devia ter sido melhor”.
O que a terapia fortalece
Adulto saudável
A parte que acolhe a criança vulnerável, põe limites aos modos de enfrentamento e responde às vozes críticas. Junto dele, a criança feliz: leveza e prazer quando as necessidades estão atendidas.
O que dizem os estudos
Funciona? Depende do caso.
A evidência é boa em transtornos de personalidade, parecida com a da TCC na depressão e ainda inicial no restante. Os estudos abaixo foram conferidos no PubMed.
495
pacientes com borderline no maior ensaio, em 15 centros de 5 países
2,18×
mais chance de recuperação do borderline em 3 anos, comparada a outra psicoterapia
323
pacientes com outros transtornos de personalidade, em 12 serviços
Fontes: Arntz et al. (2022); Giesen-Bloo et al. (2006); Bamelis et al. (2014).
Para quê
O que o estudo mostra
Fonte
Borderline: formato individual + grupo
Ensaio com 495 pacientes em 15 centros de 5 países. A Terapia do Esquema individual e em grupo reduziu a gravidade do borderline mais que o tratamento habitual (d = 1,14) e manteve mais pacientes em tratamento após 2 anos (74% contra 64%).
Em 3 anos, com duas sessões por semana, os pacientes em Terapia do Esquema tiveram cerca de duas vezes mais chance de recuperação (risco relativo 2,18) e abandonaram menos o tratamento do que os que fizeram psicoterapia focada na transferência.
323 pacientes em 12 serviços holandeses. Com 50 sessões, mais pacientes se recuperaram do transtorno de personalidade na Terapia do Esquema do que no tratamento habitual, com menos abandono.
Revisão Cochrane de 75 ensaios: psicoterapias específicas para borderline funcionam melhor que o tratamento habitual, sem diferença clara entre os tipos. DBT e MBT são as mais estudadas.
Ensaio com 100 pacientes com depressão maior: Terapia do Esquema e TCC tiveram resultados equivalentes, sem vantagem de uma sobre a outra. Os autores pedem replicação.
A Terapia do Esquema não é o “padrão-ouro” para borderline, como às vezes se lê. A revisão Cochrane de 2020 não encontrou diferença clara entre as terapias específicas, e DBT e MBT são as mais estudadas. Para ansiedade, TOC e TDAH, faltam ensaios: nesses casos, a TCC com protocolo próprio continua sendo o primeiro passo. Para padrões de relacionamento em pessoas sem transtorno de personalidade, também não há ensaios específicos.
Atendimento
Em Botafogo e online.
Presencial
Instituto InMind, Rua Real Grandeza, 108, sala 108, Botafogo, Rio de Janeiro. Como chegar
Online
Por Google Meet, para todo o Brasil e brasileiros no exterior. Como funciona
Sessões e valores
50 minutos, em geral semanais. Valor pelo WhatsApp, com nota fiscal para reembolso. Valores e reembolso
Quando procurar ajuda imediata
Se você está em perigo agora, ligue 190. Para orientação sobre violência na relação, o Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) funciona 24 horas, de graça. Se você está pensando em se machucar, ligue para o CVV no 188 (24 horas, gratuito) ou procure o SAMU no 192. Psicoterapia agendada não é serviço de emergência.
Perguntas frequentes
Dúvidas comuns.
É uma terapia para padrões que se repetem desde cedo, como a autocobrança, o medo de ser abandonado ou a dificuldade de dizer não. Ela nasceu da TCC e acrescenta técnicas emocionais e um olhar para a infância, para mudar não só o que a pessoa pensa, mas o que ela sente quando o padrão aparece.
Sim, com diferenças conforme o caso. A evidência é boa em transtornos de personalidade: ensaios com centenas de pacientes mostraram mais recuperação e menos abandono que o tratamento habitual. Na depressão, os resultados foram parecidos com os da TCC. Em outros quadros, os estudos ainda são poucos.
A Terapia do Esquema nasceu da TCC. A TCC trabalha os pensamentos e comportamentos que mantêm o problema hoje e costuma ser mais curta. A Terapia do Esquema acrescenta a origem do padrão, técnicas emocionais e a relação com o terapeuta como parte do tratamento. Não é preciso escolher uma só: uso as duas de forma integrada.
Não. É uma abordagem integrativa de base cognitivo-comportamental. Usa ideias da teoria do apego e técnicas vindas da Gestalt, mas as sessões são estruturadas, com metas e exercícios. Olhar para a infância não a torna psicanálise: o foco é mudar padrões que atrapalham a vida hoje.
O modelo de Jeffrey Young descreve 18 esquemas em 5 domínios: desconexão e rejeição, autonomia prejudicada, limites prejudicados, orientação para o outro e supervigilância. Entre os mais comuns estão abandono, privação emocional, defectividade, autossacrifício e padrões inflexíveis. A lista completa, com exemplos do dia a dia, está nesta página.
Costuma fazer sentido quando o problema é antigo e se repete em situações diferentes, quando você entende o padrão mas não consegue mudá-lo, ou quando já fez terapia e o padrão voltou. O mapa reflexivo desta página ajuda a pensar. A confirmação vem na avaliação inicial, que também indica se outra abordagem deve vir antes.
Depende do padrão. Quando o objetivo é um ou dois esquemas, sem transtorno de personalidade, costuma levar de alguns meses a cerca de um ano. Nos ensaios com transtornos de personalidade, foram de 50 sessões a 3 anos. O ritmo é combinado e revisto ao longo do tratamento.
Muitas pessoas sentem alívio nas primeiras semanas, ao dar nome ao padrão e entender de onde ele vem. A mudança do padrão em si é mais lenta: o esquema perde força aos poucos, à medida que você reage de outro jeito nas situações que antes o ativavam.
Na depressão, um ensaio encontrou resultados equivalentes aos da TCC. Para pânico, TOC e fobias, a TCC com protocolo específico continua sendo o primeiro passo. No TDAH, a Terapia do Esquema pode ajudar com a autocobrança e a vergonha que vêm junto, mas não substitui o tratamento do TDAH em si.
Existem versões do Questionário de Esquemas de Young na internet, mas ele é um instrumento clínico: o resultado precisa ser interpretado junto com a sua história. Por isso, ele é usado na avaliação, com o psicólogo. O mapa desta página não é teste, é só um ponto de partida para pensar.
Sim. Atendo por Google Meet pessoas de todo o Brasil e brasileiros no exterior. As técnicas de imagens e de cadeiras são adaptadas para o vídeo. Vale ter um lugar reservado e silencioso durante a sessão.
Atendo no Instituto InMind, na Rua Real Grandeza, 108, em Botafogo, e online. Uso a Terapia do Esquema de forma integrada à TCC, em sessões de 50 minutos. O valor é informado pelo WhatsApp, e emito nota fiscal para reembolso do plano de saúde.
Quem escreve este conteúdo
Conheça o terapeuta
Sou Maurício Araújo, psicólogo (CRP 05/80169), especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, com extensão em Terapia Sistêmica Vivencial e Terapia Familiar, membro associado da ATC-Rio e da FBTC. Atendo adultos e casais no Instituto InMind, em Botafogo, no Rio de Janeiro, e online para todo o Brasil e brasileiros no exterior. Uso a Terapia do Esquema de forma integrada à TCC, quando o que trava a mudança é um padrão antigo. O registro pode ser conferido no Cadastro Nacional de Psicólogos.