Relacionamentos · Proteção

Relacionamento abusivo: sinais, ciclo e como buscar ajuda.

Para quem sente medo, é controlado(a) ou humilhado(a) na relação, e para quem quer ajudar alguém. Nesta página: os sinais do sutil ao grave, o ciclo da violência, por que é difícil sair e onde pedir ajuda.

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Se você precisa de ajuda agora

  • 190 · Polícia Militar, em perigo imediato.
  • 180 · Central de Atendimento à Mulher. Orientação 24 horas, gratuita e sigilosa.
  • Delegacia da Mulher · registro de ocorrência e pedido de medidas protetivas.
  • 188 · CVV, se houver pensamentos de se machucar.

O botão Sair rápido, no canto da tela, troca esta página pelo Google. Nada do que você marca aqui é salvo.

Resposta direta

Um relacionamento é abusivo quando uma pessoa controla, humilha, isola ou ameaça a outra, mesmo sem agressão física. Se você está em perigo, ligue 190. Para orientação, o Ligue 180 atende de graça, 24 horas. A terapia individual ajuda a reconhecer o que está acontecendo, fortalecer a decisão e reconstruir a vida depois. Maurício Araújo, psicólogo, CRP 05/80169, em Botafogo (RJ) e online.

Como reconhecer

Os sinais, do sutil ao grave.

O abuso raramente começa com agressão. Costuma começar com ciúme, críticas e controle, que vão crescendo. Marque o que você vive ou já viveu.

Do sutil ao grave

Marque o que acontece ou já aconteceu. Nada fica salvo nem é enviado.

1Sinais de alerta
2Controle
3Violência psicológica
4Ameaça ou agressão

Nada marcado.

O que prende

O ciclo da violência.

Muitas relações abusivas seguem um ciclo descrito pela psicóloga Lenore Walker nos anos 1970. Nem todas seguem essa ordem, mas a alternância entre medo e calmaria é o que mais confunde quem está dentro.

  1. 1

    Tensão

    Irritação, cobranças, silêncio punitivo. Você tenta agradar e evitar qualquer motivo de briga.

  2. 2

    Explosão

    Humilhação, ameaça, quebra de objetos ou agressão.

  3. 3

    Arrependimento

    Desculpas, promessas, presentes, culpa transferida para você ou para o estresse.

  4. 4

    Calmaria

    Por um tempo, a relação parece boa de novo. A esperança volta, e a tensão recomeça.

Com o tempo, a calmaria tende a ficar mais curta e a tensão, mais frequente.

Não é só briga de casal

Violência psicológica também é crime.

Desde 2021, o artigo 147-B do Código Penal, incluído pela Lei 14.188, define como crime causar dano emocional à mulher por meio de ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, chantagem, ridicularização ou limitação do direito de ir e vir. A pena é de reclusão de 6 meses a 2 anos, e multa.

A Lei Maria da Penha reconhece cinco formas de violência doméstica: física, psicológica, sexual, patrimonial (como controlar ou destruir bens e documentos) e moral (calúnia, difamação, injúria). Esta página não substitui orientação jurídica: para isso, procure a Defensoria Pública ou um advogado.

Sem julgamento

Por que é tão difícil sair.

Quem está de fora costuma perguntar “por que não vai embora?”. Quem está dentro sabe que há muitos fios prendendo.

Medo

Do que o outro pode fazer, com você, com os filhos ou consigo.

Dependência

Emocional, financeira ou de moradia.

Isolamento

Amigos e família foram se afastando, e falta a quem recorrer.

Esperança

As fases boas fazem acreditar que a pessoa vai mudar.

Vergonha e culpa

A sensação de ter provocado, ou de que ninguém vai acreditar.

Filhos e família

Medo de desfazer a família ou de perder a guarda.

Abuso e dependência emocional costumam se alimentar: quanto mais o abuso tira a confiança, mais difícil parece ficar sem o outro.

Rede de proteção

Como pedir ajuda.

Em perigo imediato

Ligue 190. Se puder, vá para um lugar com outras pessoas.

Para orientação

Ligue 180, 24 horas, de graça e de forma sigilosa. Atende também quem quer ajudar uma mulher em situação de violência.

Para registrar e pedir proteção

Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM) ou qualquer delegacia. Medidas protetivas podem ser pedidas pela Lei Maria da Penha.

Para apoio contínuo

Centros de Referência da Mulher oferecem atendimento psicológico, social e jurídico. A Defensoria Pública orienta de graça.

Sem poder falar

No programa Sinal Vermelho, um X desenhado na palma da mão, de preferência em vermelho, mostrado em farmácias e outros locais participantes, é um pedido de ajuda.

Cuidados digitais

Ative o bloqueio do celular, revise o compartilhamento de localização e as contas que o outro acessa, e apague o histórico se for seguro.

O papel da terapia

Como a terapia individual ajuda.

A violência na relação deixa marcas: depressão, ansiedade, sintomas de trauma, culpa e a sensação de não confiar mais nas próprias percepções. Uma revisão Cochrane de 33 ensaios encontrou que a psicoterapia provavelmente reduz a depressão nessas mulheres. A terapia anda junto com a rede de proteção, não no lugar dela.

Por isso, quando há violência ativa, a terapia de casal não é a primeira conduta: o caminho começa pela avaliação individual e pela segurança.

37,5%

das brasileiras sofreram algum tipo de violência nos últimos 12 meses

31,4%

relataram insulto, humilhação ou xingamento, a forma mais comum

33

ensaios clínicos na revisão Cochrane sobre psicoterapia após a violência

Fontes: Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2025); Hameed et al. (2020).

PerguntaO que o estudo mostraFonte
Violência contra mulheres no BrasilNa 5ª edição da pesquisa Visível e Invisível, 37,5% das brasileiras com 16 anos ou mais relataram ter sofrido algum tipo de violência ou agressão nos 12 meses anteriores, o equivalente a 21,4 milhões de mulheres. Insulto, humilhação ou xingamento foi a forma mais relatada (31,4%).Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2025), Visível e Invisível
Violência pelo parceiro no mundoCom dados de 161 países, 27% das mulheres de 15 a 49 anos que já tiveram parceiro sofreram violência física ou sexual dele em algum momento da vida, e 13% no último ano.Sardinha et al. (2022), Lancet
Impacto na saúde mentalEm 201 estudos com 250.599 mulheres, a violência psicológica foi a forma mais comum ao longo da vida, e toda forma de violência pelo parceiro se associou a mais chance de depressão (OR 2,04 a 3,14), estresse pós-traumático (2,15 a 2,66) e ideação suicida (2,17 a 5,52).White et al. (2023), Trauma Violence Abuse
Psicoterapia depois da violênciaRevisão Cochrane de 33 ensaios com 5.517 mulheres: as psicoterapias provavelmente reduzem a depressão (certeza moderada) e podem reduzir a ansiedade. Ainda não está claro se melhoram a segurança ou previnem nova violência.Hameed et al. (2020), Cochrane Database Syst. Rev.
Ciúme e controle como riscoMeta-análise sobre violência emocional: comportamento controlador, ciúme e apego ansioso estiveram entre os fatores associados a praticar violência emocional contra o parceiro.Keilholtz et al. (2023), J. Marital Fam. Ther.

Leitura honesta dos dados

Os estudos sobre psicoterapia depois da violência mostram benefício para a saúde emocional, mas não provam que a terapia, sozinha, aumenta a segurança ou evita nova violência. Por isso, a terapia faz parte de uma rede: delegacia, centros de referência, Defensoria, família e amigos.

Lembrete

Em perigo, 190. Orientação, 180. Pensamentos de se machucar, CVV no 188. Psicoterapia agendada não é serviço de emergência.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns.

Alguns sinais: você tem medo da reação do outro, pisa em ovos para evitar brigas, é controlado(a) no celular, nas roupas, nas amizades ou no dinheiro, é humilhado(a) ou ameaçado(a), ou foi afastado(a) de pessoas próximas. Não precisa haver agressão física para ser abuso. A escala desta página ajuda a organizar o que você vive.

Sim. Desde 2021, o artigo 147-B do Código Penal, incluído pela Lei 14.188, prevê pena de reclusão de 6 meses a 2 anos e multa para quem causa dano emocional à mulher por meio de ameaça, humilhação, manipulação, isolamento, chantagem ou controle. A Lei Maria da Penha também reconhece as violências física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. Para orientação jurídica, procure a Defensoria Pública ou um advogado.

Em perigo imediato, ligue 190. Para orientação, o Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) funciona 24 horas, de graça e de forma sigilosa. Você também pode procurar a Delegacia de Atendimento à Mulher, um Centro de Referência da Mulher ou a Defensoria Pública. Em farmácias e outros locais que participam do programa Sinal Vermelho, um X desenhado na mão é um pedido de ajuda.

Porque o abuso cria medo, isolamento, dependência emocional ou financeira e culpa, e as fases de calmaria renovam a esperança. Não é fraqueza. Sair é um processo, muitas vezes com idas e vindas, e é mais seguro quando é planejado com apoio.

Quando há violência, medo ou controle, a terapia de casal não é a primeira conduta. Sessões conjuntas podem expor a pessoa a mais risco e dar a impressão de que a responsabilidade é dos dois. O caminho é avaliação individual, plano de segurança e, se fizer sentido, acompanhamento individual para cada um.

Ajuda a reconhecer o que aconteceu, reduzir sintomas como depressão, ansiedade e trauma, recuperar a confiança em si e nas próprias percepções e planejar a saída ou a reconstrução depois dela. A terapia não substitui a rede de proteção: anda junto com ela.

Sim, e em relações de qualquer orientação. O Ligue 180 é voltado a mulheres, mas o 190 e as delegacias atendem qualquer pessoa em perigo, e a terapia individual está aberta a todos. Os sinais de controle, humilhação e ameaça são os mesmos.

Reconhecer isso é um passo importante. Ciúme, raiva e necessidade de controle podem ser trabalhados em terapia individual, com responsabilidade pelo que você faz e foco em parar a violência. Se houver risco imediato para alguém, a prioridade é a segurança dessa pessoa.

Não. Nada do que você marca é salvo ou enviado. Se você teme que alguém veja seu histórico, use uma janela anônima e o botão Sair rápido, que troca esta página pelo Google.
Retrato profissional do psicólogo Maurício Araújo

Quem escreve este conteúdo

Conheça o terapeuta

Sou Maurício Araújo, psicólogo (CRP 05/80169), especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, com extensão em Terapia Sistêmica Vivencial e Terapia Familiar, membro associado da ATC-Rio e da FBTC. Atendo adultos e casais no Instituto InMind, em Botafogo, no Rio de Janeiro, e online para todo o Brasil e brasileiros no exterior. No trabalho com relacionamentos, uso a TCC, a Terapia do Esquema e os estudos sobre apego e comunicação no casal. O registro pode ser conferido no Cadastro Nacional de Psicólogos.

Formação e trajetória

Fontes

  1. Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2025), Visível e Invisível. forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2025/03/visiveleinvisivel-2025-infografico.pdf
  2. Sardinha et al. (2022), Lancet. doi.org/10.1016/S0140-6736(21)02664-7
  3. White et al. (2023), Trauma Violence Abuse. doi.org/10.1177/15248380231155529
  4. Hameed et al. (2020), Cochrane Database Syst. Rev.. doi.org/10.1002/14651858.CD013017.pub2
  5. Keilholtz et al. (2023), J. Marital Fam. Ther.. doi.org/10.1111/jmft.12630
  6. Lei nº 14.188, de 28 de julho de 2021 (art. 147-B do Código Penal e programa Sinal Vermelho). planalto.gov.br

Conteúdo informativo, revisado em 12/10/2026. Não substitui uma avaliação individual.

Você merece uma relação sem medo.

Para acompanhamento individual, em Botafogo ou online, fale pelo WhatsApp. Em perigo, ligue 190.