Medo
Do que o outro pode fazer, com você, com os filhos ou consigo.
Relacionamentos · Proteção
Para quem sente medo, é controlado(a) ou humilhado(a) na relação, e para quem quer ajudar alguém. Nesta página: os sinais do sutil ao grave, o ciclo da violência, por que é difícil sair e onde pedir ajuda.
Por Maurício Araújo, psicólogo (CRP 05/80169) · Revisado em
Se você precisa de ajuda agora
O botão Sair rápido, no canto da tela, troca esta página pelo Google. Nada do que você marca aqui é salvo.
Resposta direta
Um relacionamento é abusivo quando uma pessoa controla, humilha, isola ou ameaça a outra, mesmo sem agressão física. Se você está em perigo, ligue 190. Para orientação, o Ligue 180 atende de graça, 24 horas. A terapia individual ajuda a reconhecer o que está acontecendo, fortalecer a decisão e reconstruir a vida depois. Maurício Araújo, psicólogo, CRP 05/80169, em Botafogo (RJ) e online.
Como reconhecer
O abuso raramente começa com agressão. Costuma começar com ciúme, críticas e controle, que vão crescendo. Marque o que você vive ou já viveu.
Do sutil ao grave
Marque o que acontece ou já aconteceu. Nada fica salvo nem é enviado.
Nada marcado.
O que prende
Muitas relações abusivas seguem um ciclo descrito pela psicóloga Lenore Walker nos anos 1970. Nem todas seguem essa ordem, mas a alternância entre medo e calmaria é o que mais confunde quem está dentro.
Irritação, cobranças, silêncio punitivo. Você tenta agradar e evitar qualquer motivo de briga.
Humilhação, ameaça, quebra de objetos ou agressão.
Desculpas, promessas, presentes, culpa transferida para você ou para o estresse.
Por um tempo, a relação parece boa de novo. A esperança volta, e a tensão recomeça.
Com o tempo, a calmaria tende a ficar mais curta e a tensão, mais frequente.
Não é só briga de casal
Desde 2021, o artigo 147-B do Código Penal, incluído pela Lei 14.188, define como crime causar dano emocional à mulher por meio de ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, chantagem, ridicularização ou limitação do direito de ir e vir. A pena é de reclusão de 6 meses a 2 anos, e multa.
A Lei Maria da Penha reconhece cinco formas de violência doméstica: física, psicológica, sexual, patrimonial (como controlar ou destruir bens e documentos) e moral (calúnia, difamação, injúria). Esta página não substitui orientação jurídica: para isso, procure a Defensoria Pública ou um advogado.
Sem julgamento
Quem está de fora costuma perguntar “por que não vai embora?”. Quem está dentro sabe que há muitos fios prendendo.
Do que o outro pode fazer, com você, com os filhos ou consigo.
Emocional, financeira ou de moradia.
Amigos e família foram se afastando, e falta a quem recorrer.
As fases boas fazem acreditar que a pessoa vai mudar.
A sensação de ter provocado, ou de que ninguém vai acreditar.
Medo de desfazer a família ou de perder a guarda.
Abuso e dependência emocional costumam se alimentar: quanto mais o abuso tira a confiança, mais difícil parece ficar sem o outro.
Rede de proteção
Ligue 190. Se puder, vá para um lugar com outras pessoas.
Ligue 180, 24 horas, de graça e de forma sigilosa. Atende também quem quer ajudar uma mulher em situação de violência.
Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM) ou qualquer delegacia. Medidas protetivas podem ser pedidas pela Lei Maria da Penha.
Centros de Referência da Mulher oferecem atendimento psicológico, social e jurídico. A Defensoria Pública orienta de graça.
No programa Sinal Vermelho, um X desenhado na palma da mão, de preferência em vermelho, mostrado em farmácias e outros locais participantes, é um pedido de ajuda.
Ative o bloqueio do celular, revise o compartilhamento de localização e as contas que o outro acessa, e apague o histórico se for seguro.
O papel da terapia
A violência na relação deixa marcas: depressão, ansiedade, sintomas de trauma, culpa e a sensação de não confiar mais nas próprias percepções. Uma revisão Cochrane de 33 ensaios encontrou que a psicoterapia provavelmente reduz a depressão nessas mulheres. A terapia anda junto com a rede de proteção, não no lugar dela.
Por isso, quando há violência ativa, a terapia de casal não é a primeira conduta: o caminho começa pela avaliação individual e pela segurança.
37,5%
das brasileiras sofreram algum tipo de violência nos últimos 12 meses
31,4%
relataram insulto, humilhação ou xingamento, a forma mais comum
33
ensaios clínicos na revisão Cochrane sobre psicoterapia após a violência
Fontes: Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2025); Hameed et al. (2020).
| Pergunta | O que o estudo mostra | Fonte |
|---|---|---|
| Violência contra mulheres no Brasil | Na 5ª edição da pesquisa Visível e Invisível, 37,5% das brasileiras com 16 anos ou mais relataram ter sofrido algum tipo de violência ou agressão nos 12 meses anteriores, o equivalente a 21,4 milhões de mulheres. Insulto, humilhação ou xingamento foi a forma mais relatada (31,4%). | Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2025), Visível e Invisível |
| Violência pelo parceiro no mundo | Com dados de 161 países, 27% das mulheres de 15 a 49 anos que já tiveram parceiro sofreram violência física ou sexual dele em algum momento da vida, e 13% no último ano. | Sardinha et al. (2022), Lancet |
| Impacto na saúde mental | Em 201 estudos com 250.599 mulheres, a violência psicológica foi a forma mais comum ao longo da vida, e toda forma de violência pelo parceiro se associou a mais chance de depressão (OR 2,04 a 3,14), estresse pós-traumático (2,15 a 2,66) e ideação suicida (2,17 a 5,52). | White et al. (2023), Trauma Violence Abuse |
| Psicoterapia depois da violência | Revisão Cochrane de 33 ensaios com 5.517 mulheres: as psicoterapias provavelmente reduzem a depressão (certeza moderada) e podem reduzir a ansiedade. Ainda não está claro se melhoram a segurança ou previnem nova violência. | Hameed et al. (2020), Cochrane Database Syst. Rev. |
| Ciúme e controle como risco | Meta-análise sobre violência emocional: comportamento controlador, ciúme e apego ansioso estiveram entre os fatores associados a praticar violência emocional contra o parceiro. | Keilholtz et al. (2023), J. Marital Fam. Ther. |
Leitura honesta dos dados
Lembrete
Em perigo, 190. Orientação, 180. Pensamentos de se machucar, CVV no 188. Psicoterapia agendada não é serviço de emergência.
Perguntas frequentes

Quem escreve este conteúdo
Sou Maurício Araújo, psicólogo (CRP 05/80169), especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, com extensão em Terapia Sistêmica Vivencial e Terapia Familiar, membro associado da ATC-Rio e da FBTC. Atendo adultos e casais no Instituto InMind, em Botafogo, no Rio de Janeiro, e online para todo o Brasil e brasileiros no exterior. No trabalho com relacionamentos, uso a TCC, a Terapia do Esquema e os estudos sobre apego e comunicação no casal. O registro pode ser conferido no Cadastro Nacional de Psicólogos.
Formação e trajetóriaFontes
Conteúdo informativo, revisado em 12/10/2026. Não substitui uma avaliação individual.
Para acompanhamento individual, em Botafogo ou online, fale pelo WhatsApp. Em perigo, ligue 190.