Relacionamentos · Terapia do Esquema

Por que eu sempre repito o mesmo tipo de relacionamento?

Pessoas diferentes, o mesmo final. Nesta página: por que o familiar atrai, os cinco esquemas que mais aparecem no amor, um mapa reflexivo e como a Terapia do Esquema ajuda a escolher de outro jeito.

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Resposta direta

Repetir o mesmo tipo de relação costuma ter menos a ver com azar e mais com esquemas: crenças e emoções aprendidas cedo que fazem certas pessoas parecerem familiares e, por isso, atraentes, mesmo quando confirmam o que dói. A Terapia do Esquema ajuda a reconhecer essa química e a escolher de outro jeito. Atendo em Botafogo, no Rio de Janeiro, e online. Maurício Araújo, psicólogo, CRP 05/80169.

Para começar

Sinais de que é um padrão, não azar.

  1. 1Seus relacionamentos têm pessoas diferentes, mas o mesmo enredo.
  2. 2Você se sente atraído(a) por quem está pouco disponível, é crítico ou controla.
  3. 3Quem trata você bem parece sem graça, ou desperta desconfiança.
  4. 4Você repete com o parceiro algo que via em casa, mesmo sem querer.
  5. 5Os términos acontecem pelos mesmos motivos.
  6. 6Amigos já comentaram: “de novo esse tipo de pessoa?”.

Por que o familiar atrai

A química dos esquemas.

Um esquema é como uma lente formada cedo, quando necessidades de segurança, afeto, autonomia ou limites não foram atendidas. Na vida adulta, ele faz a gente se sentir em casa com quem repete a experiência antiga. Jeffrey Young, criador da Terapia do Esquema, chamou isso de química dos esquemas: a atração mais forte nem sempre é pela pessoa que faz bem.

EsquemaPor quem costuma atrairComo a relação costuma ficar
AbandonoPessoas instáveis, que vêm e vão, ou comprometidas com outra pessoa.Ciúme, insegurança e o fim que confirma o medo.
DefectividadePessoas críticas, que apontam defeitos e fazem você se sentir menor.Você se esforça para merecer, e se sente cada vez pior.
SubjugaçãoPessoas dominantes, que decidem e controlam.Raiva acumulada, sumiço de si e explosões ou fugas.
Privação emocionalPessoas frias, distantes ou pouco expressivas.Solidão dentro da relação, e a sensação de pedir demais.
Desconfiança e abusoPessoas que de fato machucam ou enganam.A confirmação de que não se pode confiar em ninguém.

Mapa reflexivo

Quais esquemas aparecem nas suas relações?

Duas frases para cada um dos cinco esquemas mais comuns no amor. Marque as que descrevem você.

Mapa reflexivo · 10 frases

Abandono
Defectividade
Subjugação
Privação emocional
Desconfiança e abuso

Marque as frases que descrevem você. As barras mostram quais esquemas aparecem mais.

Não é diagnóstico nem um questionário validado. Nada sai desta página.

O que você faz com o esquema

Render-se, evitar ou supercompensar.

O mesmo esquema pode aparecer de três jeitos diferentes, e a mesma pessoa pode alternar entre eles. Por isso o padrão nem sempre é óbvio.

1

Render-se

Agir como se o esquema fosse verdade: escolher quem confirma o medo e aceitar o que machuca.

2

Evitar

Fugir do que ativa o esquema: não se envolver, não aprofundar, sair antes de ser deixado(a).

3

Supercompensar

Fazer o oposto, com exagero: controlar para não ser controlado(a), atacar para não ser criticado(a).

Exemplo com o esquema de abandono: render-se é ficar com quem some; evitar é não se envolver para não ser deixado(a); supercompensar é controlar o outro para que ele não vá embora. Veja também dependência emocional e apego ansioso.

De onde vem

A infância pesa, mas não decide.

Uma meta-análise de 23 estudos encontrou que maus-tratos emocionais na infância, como humilhação e negligência afetiva, se associam a relações amorosas menos satisfatórias na vida adulta. A associação é modesta. Muitas pessoas com histórias difíceis constroem relações boas, e o padrão pode mudar.

O que vivemos com os pais e cuidadores também se repete de formas mais sutis: o jeito de brigar, o que se espera de um parceiro, o que parece amor. A visão sistêmica ajuda a enxergar essas repetições entre gerações. As fases da família estão em Ciclo de Vida Familiar.

Tratamento

Como a Terapia do Esquema ajuda a escolher de outro jeito.

1

Entender o mapa

Identificar quais esquemas e modos aparecem nas suas relações e de onde vieram.

2

Técnicas cognitivas

Questionar, com evidências da sua história, as crenças que o esquema sustenta.

3

Técnicas de imagens e cadeiras

Revisitar memórias e dar voz ao que faltou, para mudar a emoção ligada ao esquema, não só o pensamento.

4

Quebrar padrões na prática

Escolher, aos poucos, de outro jeito: em quem confiar, o que aceitar, o que pedir.

5

A relação terapêutica

Uma relação estável e cuidadosa com o terapeuta atende, em parte, necessidades que não foram atendidas antes.

A Terapia do Esquema anda junto com a TCC, que trata os comportamentos do dia a dia. Os outros temas estão em terapia para relacionamentos.

O que dizem os estudos

Evidência, com os limites.

23

estudos ligando maus-tratos emocionais na infância a relações adultas menos satisfatórias

−0,14

tamanho dessa associação: real, mas modesta

323

pacientes no ensaio que testou a Terapia do Esquema em padrões de personalidade

Fontes: Cao et al. (2022); Bamelis et al. (2014).

PerguntaO que o estudo mostraFonte
Infância e relações adultasMeta-análise de 23 estudos (201 efeitos): maus-tratos emocionais na infância, como humilhação e negligência afetiva, se associaram a pior bem-estar nas relações amorosas adultas. A associação é modesta (r = −0,14), o que mostra que a infância pesa, mas não determina.Cao et al. (2022), Trauma Violence Abuse
O efeito também chega ao parceiroEm 28 estudos, os maus-tratos que uma pessoa viveu na infância se associaram, em pequeno grau, a menos satisfação e mais sofrimento no parceiro atual.Vaillancourt-Morel et al. (2023), Trauma Violence Abuse
Terapia do Esquema em padrões de personalidadeEnsaio randomizado com 323 pacientes em 12 serviços holandeses: com 50 sessões de Terapia do Esquema, mais pacientes se recuperaram do transtorno de personalidade do que com o tratamento habitual, e houve menos abandono.Bamelis et al. (2014), Am. J. Psychiatry
Terapia do Esquema no borderlineEm três anos de tratamento, a Terapia do Esquema teve mais recuperação e menos abandono do que a psicoterapia focada na transferência em pacientes com transtorno de personalidade borderline.Giesen-Bloo et al. (2006), Arch. Gen. Psychiatry

Leitura honesta dos dados

A Terapia do Esquema foi testada sobretudo em transtornos de personalidade, com bons resultados. Para padrões de relacionamento em pessoas sem esses transtornos, ainda não há ensaios específicos. A “química dos esquemas” é um conceito clínico, útil na prática, que não foi medido diretamente como os estudos acima.

Quando procurar ajuda imediata

Se você está em perigo agora, ligue 190. Para orientação sobre violência na relação, o Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) funciona 24 horas, de graça. Se você está pensando em se machucar, ligue para o CVV no 188 (24 horas, gratuito) ou procure o SAMU no 192. Psicoterapia agendada não é serviço de emergência.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns.

Muitas vezes, porque o familiar atrai. Esquemas formados cedo, como abandono, defectividade ou subjugação, fazem certas pessoas parecerem conhecidas e, por isso, atraentes, mesmo quando confirmam o que dói. Na Terapia do Esquema, isso se chama química dos esquemas. Reconhecer o padrão é o primeiro passo para escolher de outro jeito.

Quando o esquema de abandono ou de privação emocional está ativo, alguém pouco disponível desperta a sensação conhecida de ter que conquistar afeto. Essa intensidade é confundida com paixão. Já quem está disponível pode parecer sem graça, porque não ativa o esquema.

É uma abordagem criada por Jeffrey Young que integra a Terapia Cognitivo-Comportamental com técnicas experienciais e com a teoria do apego. Ela trabalha padrões de longa duração, os esquemas, que começam na infância e se repetem na vida adulta. Foi testada principalmente em transtornos de personalidade, com bons resultados.

O modelo de Young descreve 18 esquemas, organizados em 5 domínios ligados a necessidades emocionais básicas: segurança e vínculo, autonomia, limites, expressão das próprias necessidades e espontaneidade. Nas relações amorosas, os mais comuns são abandono, defectividade, subjugação, privação emocional e desconfiança.

Sim. A infância influencia, mas não determina: os estudos mostram associações modestas entre experiências difíceis na infância e as relações adultas. Esquemas podem perder força com terapia e com relações mais seguras. Costuma levar tempo, porque o padrão também levou tempo para se formar.

Depende da intensidade do padrão. Para questões de relacionamento sem um transtorno de personalidade, costuma ser de alguns meses a um ano ou mais. Nos ensaios com transtornos de personalidade, foram 50 sessões a três anos de tratamento.

Não é preciso escolher. A Terapia do Esquema nasceu da TCC. A TCC é mais direta para comportamentos do dia a dia, como checar ou ceder; a Terapia do Esquema vai à raiz quando o padrão é antigo e se repete. Na prática, combino as duas conforme o caso.

Atendo no Instituto InMind, na Rua Real Grandeza, 108, em Botafogo, e online para todo o Brasil e brasileiros no exterior. O valor é informado pelo WhatsApp, com nota fiscal para reembolso do plano de saúde.
Retrato profissional do psicólogo Maurício Araújo

Quem escreve este conteúdo

Conheça o terapeuta

Sou Maurício Araújo, psicólogo (CRP 05/80169), especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, com extensão em Terapia Sistêmica Vivencial e Terapia Familiar, membro associado da ATC-Rio e da FBTC. Atendo adultos e casais no Instituto InMind, em Botafogo, no Rio de Janeiro, e online para todo o Brasil e brasileiros no exterior. No trabalho com relacionamentos, uso a TCC, a Terapia do Esquema e os estudos sobre apego e comunicação no casal. O registro pode ser conferido no Cadastro Nacional de Psicólogos.

Formação e trajetória

Fontes

  1. Cao et al. (2022), Trauma Violence Abuse. doi.org/10.1177/1524838020975895
  2. Vaillancourt-Morel et al. (2023), Trauma Violence Abuse. doi.org/10.1177/15248380231173427
  3. Bamelis et al. (2014), Am. J. Psychiatry. doi.org/10.1176/appi.ajp.2013.12040518
  4. Giesen-Bloo et al. (2006), Arch. Gen. Psychiatry. doi.org/10.1001/archpsyc.63.6.649
  5. Young, J. E., Klosko, J. S., & Weishaar, M. E. (2003). Schema Therapy: A Practitioner’s Guide. Guilford Press.

Conteúdo informativo, revisado em 12/10/2026. Não substitui uma avaliação individual.

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