Insônia · remédio ou terapia

Remédio para dormir ou terapia?

O que as diretrizes e os estudos dizem sobre TCC-I e medicação para insônia, quando faz sentido combinar os dois e como a terapia ajuda quem quer reduzir o remédio, sempre com o médico.

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Resposta direta

Para insônia crônica, as diretrizes indicam a terapia primeiro: o American College of Physicians recomenda a TCC-I (Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia) como tratamento inicial para todos os adultos e reserva o remédio para uma decisão compartilhada quando a terapia sozinha não basta (Qaseem et al., 2016). O remédio tende a agir mais rápido; a TCC-I leva algumas semanas, mas os ganhos tendem a durar depois que o tratamento acaba (Mitchell et al., 2012). Quem já usa medicação pode começar a TCC-I sem parar nada; qualquer redução é planejada com o médico.

Quem atende

Maurício Araújo, psicólogo

Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) · tratamento de insônia em adultos

CRP 05/80169 · conferir no CFP

Instituto InMind · Rua Real Grandeza, 108, sala 108 · Botafogo, Rio de Janeiro

Online pelo Google Meet para todo o Brasil e brasileiros no exterior

Agendamento pelo WhatsApp (21) 97170-3636 · nota fiscal para reembolso

Comparação

TCC-I e remédio, lado a lado.

Não é uma disputa: são ferramentas diferentes, que às vezes se somam. O quadro resume o que os estudos e as diretrizes mostram sobre cada um.

TCC-IRemédio
Quem indicaPsicólogo com formação em TCC-IMédico (clínico, psiquiatra, neurologista)
Recomendação das diretrizesPrimeiro tratamento para insônia crônica em adultosDecisão compartilhada quando a TCC-I não basta
Quando faz efeitoEm algumas semanas; as primeiras podem ser mais cansativasCostuma agir já nas primeiras noites
Depois que terminaOs ganhos tendem a se manterO efeito tende a acabar quando o remédio é suspenso
O que exige de vocêDiário do sono, horários fixos e tarefas entre as sessõesTomar a dose prescrita e fazer consultas de acompanhamento
Riscos principaisSonolência temporária durante o ajuste do tempo na camaVariam por remédio: sonolência no dia seguinte, quedas, tolerância e dependência em alguns

Quando o remédio ajuda

Situações em que o médico pode indicar remédio.

Insônia de curta duração

Uma fase difícil e passageira, como luto, hospitalização ou uma crise no trabalho, em que o sono desabou de repente.

A TCC-I não foi suficiente

Depois de um tratamento bem feito, o médico pode somar medicação, em decisão conjunta.

Outro quadro por trás

Depressão, ansiedade ou dor que atrapalham o sono podem ter tratamento médico próprio.

Começo combinado

Em alguns casos, começar com os dois e depois retirar o remédio teve bom resultado de longo prazo (Morin et al., 2009).

A escolha do remédio, da dose e do tempo de uso é do médico. Veja psicólogo ou psiquiatra.

Para quem quer parar

Como a terapia ajuda a reduzir o remédio.

Muita gente toma remédio para dormir há anos e tem medo de parar porque, nas tentativas, a insônia voltou pior. Esse rebote é comum e é um dos motivos para nunca parar de uma vez. A redução é feita aos poucos, num plano do médico.

A TCC-I prepara o terreno: o sono fica mais firme por causa do ajuste de horários e do controle de estímulos, e o medo das noites sem remédio é trabalhado na terapia. Num ensaio clínico, somar TCC à retirada supervisionada levou 85% das pessoas a ficarem sem o benzodiazepínico (Morin et al., 2004). O estudo também mostrou que a melhora do sono pode levar alguns meses para aparecer depois da retirada.

Tratamento

Onde fazer a TCC-I.

A TCC-I tem de 8 a 10 sessões semanais. No Rio, o atendimento presencial é no consultório em Botafogo, no Instituto InMind, onde também atendem psiquiatras. Para todo o Brasil e o exterior, há a terapia online para insônia.

Para entender o protocolo completo, veja insônia: sintomas e tratamento; para o que fazer já nas próximas noites, leia insônia: o que fazer.

O que dizem os estudos

O que dizem os estudos sobre remédio e terapia?

Os números vêm dos próprios estudos, com link para a fonte. Esta página não substitui a orientação do seu médico.

TCC-I primeiro

A diretriz do American College of Physicians recomenda a TCC-I como tratamento inicial para todos os adultos com insônia crônica (recomendação forte, evidência moderada). O remédio entra por decisão compartilhada quando a TCC-I não foi suficiente.

Qaseem et al., 2016, Annals of Internal Medicine

Comparação direta

Revisão sistemática de ensaios que compararam TCC-I e medicação: a TCC-I foi superior aos benzodiazepínicos e às drogas Z no longo prazo; os benzodiazepínicos podem ser mais eficazes no curto prazo, com evidência de qualidade muito baixa.

Mitchell et al., 2012, BMC Family Practice

Combinar e depois retirar

Em 160 adultos, TCC-I e TCC-I com zolpidem tiveram taxas de resposta semelhantes em seis semanas (60% e 61%). No longo prazo, o melhor resultado foi de quem começou com os dois e seguiu só com a TCC-I: 68% em remissão, contra 42% de quem continuou com o remédio.

Morin et al., 2009, JAMA

Ajuda para sair do benzodiazepínico

Em adultos mais velhos que usavam benzodiazepínico para dormir havia muitos anos, 85% ficaram sem o remédio com retirada supervisionada mais TCC, contra 48% com a retirada sozinha e 54% com a TCC sozinha.

Morin et al., 2004, American Journal of Psychiatry

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns.

Para insônia crônica, as diretrizes indicam a TCC-I como primeiro tratamento. O American College of Physicians recomenda que todos os adultos com insônia crônica recebam TCC-I como tratamento inicial e que o remédio entre numa decisão compartilhada quando a terapia sozinha não for suficiente (Qaseem et al., 2016). Em casos específicos, o médico pode indicar os dois juntos.

Numa revisão sistemática que comparou diretamente os dois, a TCC-I foi mais eficaz que os benzodiazepínicos e as drogas Z no longo prazo, enquanto os benzodiazepínicos podem agir mais rápido no curto prazo; a qualidade das evidências foi de baixa a moderada (Mitchell et al., 2012).

Sim. Num ensaio clínico, somar zolpidem à TCC-I nas primeiras seis semanas trouxe algum ganho inicial, e o melhor resultado de longo prazo foi de quem começou com os dois e depois manteve só a terapia, retirando o remédio (Morin et al., 2009). A decisão sobre o remédio é do médico, com você.

Nunca de uma vez e nunca sozinho, principalmente no caso de benzodiazepínicos (como clonazepam e alprazolam) e drogas Z (como zolpidem). A redução é gradual e planejada com o médico. A TCC-I ajuda muito nessa fase: num estudo com pessoas que usavam benzodiazepínico havia em média 19 anos, 85% das que fizeram retirada supervisionada junto com TCC ficaram sem o remédio, contra 48% das que fizeram só a retirada (Morin et al., 2004).

Há pouca evidência de qualidade para a maioria dos produtos vendidos como naturais, e mesmo eles podem interagir com outros remédios. Vale conversar com o médico antes de usar. Para insônia crônica, a recomendação continua sendo a TCC-I.

Não. O psicólogo conduz a TCC-I e acompanha o seu sono; prescrever, ajustar ou suspender medicação é papel do médico. O ideal é que os dois conversem quando há um plano de redução.

Quer tratar a insônia pela raiz?

Agende pelo WhatsApp uma avaliação no consultório em Botafogo ou online. Se você usa remédio, ele continua como está até você conversar com o seu médico.