Autismo adulto · sinais e avaliação

Como saber se sou autista?

Os sinais de autismo em adultos podem ser sutis ou escondidos por anos de adaptação. Veja como aparecem, o que pode parecer autismo e como é a avaliação.

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Resposta direta

O autismo aparece em dois grupos de características, presentes desde a infância: diferenças na comunicação e na interação social, como entender regras implícitas, ironias e conversas em grupo; e padrões restritos e repetitivos, como rotinas, interesses intensos e sensibilidade a sons, luzes e texturas. Em adultos de nível 1 de suporte, esses sinais podem ser sutis ou escondidos pela camuflagem.

Cerca de 1 em cada 100 adultos é autista (Brugha et al., 2016), e muitos só descobrem na vida adulta (Lai e Baron-Cohen, 2015). Questionários ajudam no rastreio, mas o diagnóstico é feito por avaliação clínica, com a história do desenvolvimento.

Quem atende

Maurício Araújo, psicólogo

Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) · tratamento de autismo adulto em adultos

CRP 05/80169 · conferir no CFP

Instituto InMind · Rua Real Grandeza, 108, sala 108 · Botafogo, Rio de Janeiro

Online pelo Google Meet para todo o Brasil e brasileiros no exterior

Agendamento pelo WhatsApp (21) 97170-3636 · nota fiscal para reembolso

Como aparece em adultos

Sinais de autismo em adultos.

Conversas e regras sociais

Cansaço em conversas de grupo, dificuldade com o que fica nas entrelinhas, ironias ou bate-papo sem objetivo; preferir falar de temas concretos.

Rotinas

Grande desconforto com mudanças de última hora, preferência por fazer as coisas sempre do mesmo jeito.

Interesses intensos

Assuntos que você aprofunda muito, por anos, com prazer e conhecimento acima da média.

Sensorial

Sons, luzes, cheiros, etiquetas e texturas que incomodam muito, ou o contrário, buscar certas sensações.

Desde sempre

Sinais presentes desde a infância, mesmo que ninguém tenha notado: brincadeiras diferentes, poucos amigos, regras próprias.

O preço da adaptação

Precisar de muito tempo sozinho para se recuperar depois de socializar, crises de sobrecarga, sensação de estar sempre atuando.

Por que passa despercebido

A camuflagem.

Muitos adultos autistas aprendem a imitar os outros, ensaiar conversas, forçar contato visual e esconder interesses e incômodos. Isso ajuda a se encaixar, mas cansa muito e pode atrasar o diagnóstico por décadas (Hull et al., 2017). É mais frequente, ou mais estudado, em mulheres, que costumam receber outros diagnósticos antes.

Para entender por que tantos adultos só descobrem agora, veja diagnóstico tardio de autismo.

Outras explicações

O que pode parecer autismo.

TDAH

Desatenção e dificuldade de organização aparecem nos dois, e os dois podem coexistir. Veja autismo ou TDAH.

Introversão

Preferir poucas pessoas e programas calmos, sem dificuldade de entender as regras sociais, é um traço de personalidade.

TOC

Rituais feitos para aliviar angústia, e não por prazer ou conforto, apontam mais para TOC. Veja como saber se tenho TOC.

Próximo passo

Como é a avaliação.

  1. 1Rastreio. Questionários como o AQ-10 ajudam a decidir se vale avaliar, mas não fecham diagnóstico.
  2. 2Entrevista detalhada. Como você funciona hoje e como era na infância, nas várias áreas da vida.
  3. 3Informantes. Quando possível, alguém que conheceu você criança (pais, irmãos) ajuda muito.
  4. 4Avaliação complementar. Muitas vezes, avaliação neuropsicológica e investigação de quadros associados, como ansiedade e TDAH.
  5. 5Devolutiva. O resultado, o que ele significa para a sua vida e quais apoios fazem sentido.

O diagnóstico é feito por psiquiatra ou neurologista. Na terapia, a avaliação inicial ajuda a organizar a história e os sintomas e a decidir o próximo passo. Para um rastreio inicial, faça o teste de autismo adulto (AQ-10). O atendimento é no consultório em Botafogo ou online.

O que dizem os estudos

O que dizem os estudos sobre autismo em adultos?

Os números vêm dos próprios estudos, com link para a fonte.

Uma geração sem diagnóstico

A revisão da Lancet Psychiatry descreve a "geração perdida" de adultos autistas que não foram diagnosticados na infância, as dificuldades do diagnóstico adulto (camuflagem, falta de informantes, quadros associados) e o risco de diagnósticos errados, especialmente em mulheres.

Lai e Baron-Cohen, 2015, The Lancet Psychiatry

Cerca de 1 em cada 100 adultos

Num levantamento com avaliação clínica de adultos na Inglaterra, a prevalência de autismo foi de 11 por 1.000. Os instrumentos podem deixar passar mais mulheres autistas.

Brugha et al., 2016, British Journal of Psychiatry

Ansiedade imita autismo no questionário

Em 476 adultos atendidos em um serviço especializado do Reino Unido, a pontuação do questionário completo de 50 itens não previu o diagnóstico: 64% dos que ficaram abaixo do ponto de corte eram autistas, e a ansiedade generalizada elevava as pontuações.

Ashwood et al., 2016, Psychological Medicine

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns.

O autismo aparece em dois grupos de características, presentes desde a infância: diferenças na comunicação e na interação social (entender regras implícitas, ironias, conversas em grupo) e padrões restritos e repetitivos (rotinas, interesses intensos, sensibilidade a sons, luzes e texturas). Em adultos de nível 1 de suporte, esses sinais podem ser sutis ou escondidos pela camuflagem. O diagnóstico é feito por avaliação clínica, com a história do desenvolvimento.

Não. Questionários como o AQ-10 são de rastreio: ajudam a decidir se vale uma avaliação, mas erram bastante em adultos que já buscam avaliação. Num estudo de um serviço especializado, a pontuação do questionário não previu o diagnóstico, e a ansiedade aumentava as pontuações.

O diagnóstico é clínico, feito por psiquiatra ou neurologista com experiência em adultos, muitas vezes com avaliação neuropsicológica feita por psicólogo. Inclui entrevista detalhada, história do desenvolvimento e, quando possível, informações de alguém que conheceu você na infância.

Sim. Muitos adultos autistas de nível 1 trabalham, se relacionam e têm família, às vezes à custa de muito esforço para se adaptar. O diagnóstico não depende de não dar conta da vida, e sim do jeito de funcionar desde cedo.

É muito comum. O conceito de espectro é recente, os critérios mudaram e muitas pessoas, especialmente mulheres, aprenderam a camuflar as características. Muitas vezes a suspeita surge depois do diagnóstico de um filho ou de uma fase de esgotamento.

Para muitos adultos, sim: ajuda a entender a própria história, a pedir adaptações e a escolher tratamentos que funcionam melhor. Mas é uma decisão pessoal. Dá para começar a terapia para a ansiedade ou o esgotamento com ou sem diagnóstico.

Quer organizar a sua história?

Agende pelo WhatsApp uma avaliação no consultório em Botafogo ou online.