TDAH adulto · diagnóstico
Avaliação de TDAH em adultos: como funciona.
Não existe exame que comprove TDAH. O diagnóstico vem de uma entrevista cuidadosa sobre a infância e a vida atual, com escalas de apoio e a investigação de tudo o que pode imitar o quadro. Veja o passo a passo e quem faz.
Por Maurício Araújo, psicólogo (CRP 05/80169) · Revisado em
Resposta direta
O diagnóstico de TDAH em adultos é clínico, feito por entrevista com psiquiatra, neurologista ou psicólogo. A avaliação confirma que há sintomas de desatenção e/ou hiperatividade e impulsividade em número suficiente (no DSM-5, cinco ou mais a partir dos 17 anos), que eles começaram antes dos 12 anos, aparecem em mais de um ambiente e causam prejuízo, e que outro quadro, como ansiedade, depressão ou problema de sono, não explica melhor o que acontece. Escalas como o ASRS ajudam a rastrear; a avaliação neuropsicológica complementa quando há dúvida. O consenso europeu recomenda ouvir também quem conviveu com a pessoa na infância (Kooij et al., 2019).
Quem atende
Maurício Araújo, psicólogo
Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) · tratamento de TDAH em adultos
CRP 05/80169 · conferir no CFP
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O que precisa estar presente
Os quatro pontos que a avaliação confirma.
Início antes dos 12 anos
Mais de um ambiente
Prejuízo real e sem outra explicação
Como acontece
A avaliação, passo a passo.
- 1Rastreio. Escalas como o ASRS, que você pode responder antes da consulta, para organizar o que percebe.
- 2Entrevista clínica. Os sintomas de hoje, como eles atrapalham e desde quando existem, com perguntas sobre a escola, a família e os primeiros empregos.
- 3Informações de terceiros. Quando possível, relato de pais, irmãos ou parceiro, e documentos como boletins escolares.
- 4Diagnóstico diferencial. Investigar ansiedade, depressão, bipolaridade, sono, uso de substâncias e questões médicas que afetam a atenção.
- 5Devolutiva e plano. Explicar o que foi encontrado e combinar o tratamento: TCC, medicação com psiquiatra ou os dois.
Para começar, responda o teste de TDAH adulto (ASRS).
Os profissionais
Psiquiatra, psicólogo ou neuropsicólogo?
Psiquiatra
Psicólogo
Neuropsicólogo
Neurologista
Muitas vezes, a avaliação é feita em conjunto. Veja psicólogo ou psiquiatra.
Antes de concluir
O que pode parecer TDAH.
- Ansiedade: preocupações que sequestram a atenção. Veja TDAH ou ansiedade.
- Depressão: falta de energia, de interesse e de concentração.
- Sono ruim ou apneia: cansaço que derruba memória e foco.
- Burnout: exaustão crônica ligada ao trabalho. Veja teste de burnout.
- Uso de álcool, cannabis e outras substâncias, e efeitos de alguns medicamentos.
- Problemas de tireoide e outras condições médicas.
Nada disso exclui o TDAH: esses quadros podem coexistir com ele. A avaliação serve para entender o que está presente e o que tratar primeiro.
O que dizem os estudos
O que orienta a avaliação?
Consensos de especialistas e estudos de validação. Os números vêm dos próprios estudos, com link para a fonte.
Consenso europeu sobre TDAH adulto
Com 63 especialistas, o consenso recomenda diagnóstico por entrevista clínica sobre a infância e a vida atual, uso de escalas de apoio, informações de terceiros e investigação de comorbidades, e lembra que o TDAH adulto ainda é subdiagnosticado.
Kooij et al., 2019, European PsychiatryUm rastreio de seis perguntas
O ASRS de seis perguntas, desenvolvido com a Organização Mundial da Saúde, classificou corretamente 97,9% das pessoas no estudo de validação, com sensibilidade de 68,7% e especificidade de 99,5%.
Kessler et al., 2005, Psychological MedicineComum e pouco tratado
Na pesquisa nacional de saúde mental dos Estados Unidos, a prevalência de TDAH adulto foi de 4,4%. A maioria dos casos não recebia tratamento para o TDAH, embora muitos tratassem outros quadros associados.
Kessler et al., 2006, American Journal of PsychiatryMuitas comorbidades
Em dados de mais de 15 milhões de pessoas, adultos com TDAH tiveram chance muito maior de ter também transtorno bipolar, ansiedade, uso de substâncias e depressão, o que reforça a necessidade de avaliar o quadro inteiro.
Hartman et al., 2023, Neuroscience & Biobehavioral ReviewsPerguntas frequentes
Dúvidas comuns.
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