TDAH adulto · diagnóstico

Avaliação de TDAH em adultos: como funciona.

Não existe exame que comprove TDAH. O diagnóstico vem de uma entrevista cuidadosa sobre a infância e a vida atual, com escalas de apoio e a investigação de tudo o que pode imitar o quadro. Veja o passo a passo e quem faz.

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Resposta direta

O diagnóstico de TDAH em adultos é clínico, feito por entrevista com psiquiatra, neurologista ou psicólogo. A avaliação confirma que há sintomas de desatenção e/ou hiperatividade e impulsividade em número suficiente (no DSM-5, cinco ou mais a partir dos 17 anos), que eles começaram antes dos 12 anos, aparecem em mais de um ambiente e causam prejuízo, e que outro quadro, como ansiedade, depressão ou problema de sono, não explica melhor o que acontece. Escalas como o ASRS ajudam a rastrear; a avaliação neuropsicológica complementa quando há dúvida. O consenso europeu recomenda ouvir também quem conviveu com a pessoa na infância (Kooij et al., 2019).

Quem atende

Maurício Araújo, psicólogo

Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) · tratamento de TDAH em adultos

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O que precisa estar presente

Os quatro pontos que a avaliação confirma.

Sintomas suficientes

Desatenção e/ou hiperatividade e impulsividade. No DSM-5, adultos precisam de cinco ou mais sintomas em pelo menos um dos dois grupos.

Início antes dos 12 anos

Vários sintomas já existiam na infância, mesmo que só tenham virado problema mais tarde.

Mais de um ambiente

Os sintomas aparecem em pelo menos dois contextos, como trabalho, estudos, casa ou relações.

Prejuízo real e sem outra explicação

Atrapalham a vida, e outro quadro não explica melhor os sintomas.

Como acontece

A avaliação, passo a passo.

  1. 1Rastreio. Escalas como o ASRS, que você pode responder antes da consulta, para organizar o que percebe.
  2. 2Entrevista clínica. Os sintomas de hoje, como eles atrapalham e desde quando existem, com perguntas sobre a escola, a família e os primeiros empregos.
  3. 3Informações de terceiros. Quando possível, relato de pais, irmãos ou parceiro, e documentos como boletins escolares.
  4. 4Diagnóstico diferencial. Investigar ansiedade, depressão, bipolaridade, sono, uso de substâncias e questões médicas que afetam a atenção.
  5. 5Devolutiva e plano. Explicar o que foi encontrado e combinar o tratamento: TCC, medicação com psiquiatra ou os dois.

Para começar, responda o teste de TDAH adulto (ASRS).

Os profissionais

Psiquiatra, psicólogo ou neuropsicólogo?

Psiquiatra

Faz o diagnóstico, avalia outros quadros e é quem pode prescrever medicação.

Psicólogo

Avalia por entrevista e escalas, investiga o diferencial e conduz a TCC, que trabalha organização, procrastinação e autoestima.

Neuropsicólogo

Aplica testes de atenção, memória e funções executivas quando há dúvida ou necessidade de documentar o funcionamento.

Neurologista

Também pode diagnosticar e tratar, especialmente quando há questões neurológicas associadas.

Muitas vezes, a avaliação é feita em conjunto. Veja psicólogo ou psiquiatra.

Antes de concluir

O que pode parecer TDAH.

  • Ansiedade: preocupações que sequestram a atenção. Veja TDAH ou ansiedade.
  • Depressão: falta de energia, de interesse e de concentração.
  • Sono ruim ou apneia: cansaço que derruba memória e foco.
  • Burnout: exaustão crônica ligada ao trabalho. Veja teste de burnout.
  • Uso de álcool, cannabis e outras substâncias, e efeitos de alguns medicamentos.
  • Problemas de tireoide e outras condições médicas.

Nada disso exclui o TDAH: esses quadros podem coexistir com ele. A avaliação serve para entender o que está presente e o que tratar primeiro.

O que dizem os estudos

O que orienta a avaliação?

Consensos de especialistas e estudos de validação. Os números vêm dos próprios estudos, com link para a fonte.

Consenso europeu sobre TDAH adulto

Com 63 especialistas, o consenso recomenda diagnóstico por entrevista clínica sobre a infância e a vida atual, uso de escalas de apoio, informações de terceiros e investigação de comorbidades, e lembra que o TDAH adulto ainda é subdiagnosticado.

Kooij et al., 2019, European Psychiatry

Um rastreio de seis perguntas

O ASRS de seis perguntas, desenvolvido com a Organização Mundial da Saúde, classificou corretamente 97,9% das pessoas no estudo de validação, com sensibilidade de 68,7% e especificidade de 99,5%.

Kessler et al., 2005, Psychological Medicine

Comum e pouco tratado

Na pesquisa nacional de saúde mental dos Estados Unidos, a prevalência de TDAH adulto foi de 4,4%. A maioria dos casos não recebia tratamento para o TDAH, embora muitos tratassem outros quadros associados.

Kessler et al., 2006, American Journal of Psychiatry

Muitas comorbidades

Em dados de mais de 15 milhões de pessoas, adultos com TDAH tiveram chance muito maior de ter também transtorno bipolar, ansiedade, uso de substâncias e depressão, o que reforça a necessidade de avaliar o quadro inteiro.

Hartman et al., 2023, Neuroscience & Biobehavioral Reviews

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns.

O diagnóstico é clínico, feito por entrevista. O profissional confirma que há sintomas de desatenção e/ou hiperatividade e impulsividade em número suficiente (no DSM-5, cinco ou mais a partir dos 17 anos), que eles começaram antes dos 12 anos, aparecem em mais de um ambiente e causam prejuízo, e que outro quadro não explica melhor o que acontece.

Psiquiatras, neurologistas e psicólogos podem avaliar TDAH. A prescrição de medicação é feita por médico, geralmente psiquiatra. Na prática, a avaliação costuma envolver mais de um profissional.

Não. Não há exame de sangue, de imagem ou teste único que confirme o diagnóstico. Escalas como o ASRS ajudam a rastrear, e a avaliação neuropsicológica mapeia atenção, memória e funções executivas, mas a conclusão vem da entrevista clínica e da história de vida.

Nem sempre. Ela é útil quando há dúvida diagnóstica, outros quadros associados ou necessidade de documentar o funcionamento, por exemplo para adaptações no trabalho ou nos estudos. Ela complementa a entrevista clínica, não a substitui.

Porque o TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento: os sintomas precisam ter começado antes dos 12 anos. Boletins escolares, lembranças de pais e irmãos e relatos de professores ajudam a reconstruir essa história.

Ansiedade, depressão, transtorno bipolar, uso de álcool e outras substâncias, problemas de sono, tireoide e efeitos de medicamentos, entre outros. Todos podem afetar a atenção e precisam ser considerados antes de concluir que é TDAH.

Varia. A entrevista clínica costuma levar algumas sessões, somando escalas e conversas com familiares quando possível. Uma avaliação neuropsicológica completa, quando indicada, leva mais encontros.

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