Trauma · os primeiros dias

O que fazer depois de um trauma.

Depois de um assalto, um acidente, uma violência ou uma perda súbita: o que é esperado, o que ajuda, o que atrapalha e quando procurar ajuda.

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Resposta direta

Nos primeiros dias depois de um trauma, o mais importante é segurança, cuidado com o básico e apoio: ficar em um lugar seguro, comer, tentar dormir, estar perto de pessoas de confiança e voltar aos poucos à rotina. Pesadelos, sustos, choro e dificuldade para dormir são reações esperadas, e muitas pessoas melhoram nos primeiros meses (Santiago et al., 2013).

Não é preciso forçar a falar: sessões obrigatórias de desabafo logo depois do trauma não preveniram o TEPT nos estudos (Rose et al., 2002). Se depois de cerca de um mês os sintomas continuam fortes, procure uma avaliação: a TCC focada no trauma ajuda quem tem sintomas significativos (Roberts et al., 2019).

Quem atende

Maurício Araújo, psicólogo

Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) · tratamento de trauma e TEPT em adultos

CRP 05/80169 · conferir no CFP

Instituto InMind · Rua Real Grandeza, 108, sala 108 · Botafogo, Rio de Janeiro

Online pelo Google Meet para todo o Brasil e brasileiros no exterior

Agendamento pelo WhatsApp (21) 97170-3636 · nota fiscal para reembolso

Se houver pensamentos de se machucar ou de não querer mais viver, não espere a consulta: ligue 188 (CVV, 24 horas, gratuito) ou 192 (SAMU), ou vá a uma UPA ou emergência.

Reações comuns

O que é esperado nos primeiros dias.

No corpo

Coração acelerado, tremores, cansaço, falta de apetite, sono ruim ou pesadelos.

Nas emoções

Medo, choro, raiva, culpa, sensação de irrealidade ou de estar anestesiado.

Na cabeça

Imagens do que aconteceu voltando, dificuldade de concentração, repassar o que poderia ter sido diferente.

No comportamento

Evitar o lugar ou o caminho, ficar mais em alerta, querer companhia ou, ao contrário, se isolar.

Nas próximas semanas

O que ajuda.

  1. 1Segurança primeiro. Ficar num lugar seguro e, se houve violência, buscar proteção e os serviços adequados.
  2. 2O básico. Comer, beber água, tentar manter horários de sono. Evitar álcool e calmantes por conta própria.
  3. 3Gente de confiança. Estar perto de quem faz bem. Falar sobre o que aconteceu se e quando quiser, sem obrigação.
  4. 4Rotina aos poucos. Voltar gradualmente às atividades e, quando der, aos lugares que não são perigosos de verdade.
  5. 5Notícias com moderação. Rever imagens e notícias do evento várias vezes mantém o alerta ligado.

Se a dificuldade é o sono, veja insônia: o que fazer.

Cuidado com

O que costuma atrapalhar.

Álcool para dormir ou esquecer

Alivia na hora, mas piora o sono e aumenta o risco de TEPT e de dependência.

Forçar a falar

Sessões obrigatórias de desabafo logo depois do trauma não preveniram o TEPT e, num estudo, se associaram a mais TEPT depois.

Evitar tudo

Fugir de todos os lugares e lembranças traz alívio rápido, mas faz o medo crescer com o tempo.

Se culpar

Repassar o que poderia ter feito diferente é comum, mas a culpa costuma ser injusta com quem passou pelo trauma.

Próximo passo

Quando procurar ajuda.

  • Depois de cerca de um mês, os sintomas continuam fortes ou estão piorando.
  • Você evita lugares, pessoas ou atividades importantes.
  • O sono, o trabalho ou as relações estão sendo afetados.
  • Antes disso: se houver pensamentos de não querer viver, uso de álcool para aguentar ou dificuldade de cuidar de si.

Para organizar os sinais, leia como saber se tenho TEPT e faça o teste de TEPT (PCL-5). O tratamento é feito no consultório em Botafogo ou pela terapia online.

Para familiares e amigos

Como ajudar alguém que passou por um trauma.

Presença e ajuda prática

Comida, companhia, transporte, cuidar de tarefas. Pequenas coisas pesam muito.

Escutar sem pressionar

Deixe a pessoa falar quando quiser, sem pedir detalhes nem dizer o que ela deveria ter feito.

Não julgar as reações

Medo, raiva, choro ou silêncio são reações comuns. Cada pessoa reage de um jeito.

Ficar de olho no tempo

Se depois de um mês os sintomas continuam, ajude a pessoa a procurar um profissional.

O que dizem os estudos

O que dizem os estudos sobre os primeiros meses?

Os números vêm dos próprios estudos, com link para a fonte.

Muitos melhoram, uma parte não

Em estudos que acompanharam pessoas no primeiro ano após um trauma, o TEPT caiu de 28,8% no primeiro mês para 17% em doze meses. Cerca de um terço melhorou em três meses, mas quase 40% tiveram curso crônico.

Santiago et al., 2013, PLoS ONE

Forçar o desabafo não previne

Em 11 ensaios, o debriefing psicológico de sessão única não reduziu o sofrimento nem preveniu o TEPT; num estudo, quem recebeu teve mais TEPT um ano depois. A revisão recomenda que o debriefing obrigatório deixe de ser feito.

Rose et al., 2002, Cochrane

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns.

Nos primeiros dias, o mais importante é segurança, cuidado com o básico e apoio: ficar em um lugar seguro, comer, tentar dormir, estar perto de pessoas de confiança e voltar aos poucos à rotina. Reações como pesadelos, sustos e choro são esperadas. Se depois de um mês os sintomas continuam fortes, vale procurar avaliação.

Se e quando quiser. Falar com alguém de confiança pode ajudar, mas não há obrigação. As sessões únicas e obrigatórias de "desabafo" logo depois do trauma (o chamado debriefing) não preveniram o TEPT nos estudos e, num deles, se associaram a mais TEPT um ano depois.

Sim, nas primeiras semanas é comum. Manter horários regulares, evitar álcool e telas na cama e não forçar o sono ajudam. Se a insônia continuar depois de algumas semanas, ou vier com pesadelos frequentes, vale conversar com um profissional.

Quando, depois de cerca de um mês, os sintomas continuam fortes ou pioram: lembranças que invadem, evitação, alerta constante, culpa ou vergonha intensas. Antes disso, se houver pensamentos de não querer viver, uso de álcool para aguentar ou incapacidade de cuidar de si.

Para quem tem sintomas fortes, sim. Numa revisão de 61 estudos, a TCC focada no trauma ajudou pessoas com sintomas significativos nos primeiros meses. Para quem não tinha sintomas, oferecer intervenção a todos não fez diferença. Por isso, o caminho é observar e procurar ajuda se os sintomas persistirem.

Ofereça presença e ajuda prática (comida, companhia, transporte), escute sem pressionar por detalhes, não julgue as reações, incentive a volta gradual à rotina e, se os sintomas continuarem depois de um mês, ajude a pessoa a procurar um profissional.

Se precisar, estou por aqui.

Agende pelo WhatsApp uma avaliação no consultório em Botafogo ou online.