Pânico · dor no peito e coração

Pânico ou problema no coração?

Coração disparado, aperto no peito e medo de morrer aparecem nos dois. Veja por que só o exame separa um do outro, quando ir à emergência e o que fazer quando os exames vêm normais.

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Resposta direta

Pelos sintomas, não dá para ter certeza: dor no peito, coração disparado, falta de ar e suor aparecem tanto na crise de pânico quanto no infarto. Num estudo, os sintomas anotados na emergência não permitiram separar quem tinha pânico de quem não tinha (Greenslade et al., 2017). Quem separa é a avaliação médica, com eletrocardiograma e, quando preciso, exames de sangue.

Por isso, dor no peito nova, diferente ou forte vai para a emergência. Depois que o coração foi avaliado e as crises se repetem com exames normais, o pânico passa a ser a principal hipótese, e ele tem tratamento: a Terapia Cognitivo-Comportamental. Cerca de 1 em cada 4 pessoas atendidas com dor no peito numa emergência cardiológica tinha transtorno do pânico, quase sempre sem diagnóstico (Fleet et al., 1996).

Dor ou pressão no peito que dura mais de alguns minutos, que vai para o braço, a mandíbula ou as costas, ou que vem com suor frio, náusea ou desmaio: ligue 192 (SAMU) ou vá a uma emergência agora. Não espere para ver se é pânico.

Quem atende

Maurício Araújo, psicólogo

Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) · tratamento de síndrome do pânico em adultos

CRP 05/80169 · conferir no CFP

Instituto InMind · Rua Real Grandeza, 108, sala 108 · Botafogo, Rio de Janeiro

Online pelo Google Meet para todo o Brasil e brasileiros no exterior

Agendamento pelo WhatsApp (21) 97170-3636 · nota fiscal para reembolso

Lado a lado

O que costuma pesar para cada lado.

O quadro mostra tendências, não regras. Infarto em mulheres, em diabéticos e em idosos pode vir com sintomas diferentes dos clássicos, e quem tem pânico também pode ter doença no coração. Nenhuma dessas diferenças descarta um infarto sem exame.

Crise de pânicoProblema no coração
Como começaDe repente, muitas vezes em repouso, dormindo ou numa situação temidaMuitas vezes com esforço ou estresse, mas também em repouso
Quanto duraChega ao pico em poucos minutos e costuma ceder em até meia horaDor ou aperto que dura mais de alguns minutos, ou vai e volta
Como é a dorPontada ou aperto difuso, junto com muito medoPressão, peso ou aperto, que pode ir para o braço, a mandíbula ou as costas
O que vem juntoFormigamento nas mãos ou na boca, sensação de irrealidade, medo de morrer ou enlouquecerSuor frio, náusea, falta de ar, cansaço intenso
Quem tem mais riscoQualquer idade, mais comum em adultos jovensMais de 40 a 50 anos, fumo, diabetes, pressão alta, colesterol alto, histórico familiar

Segurança primeiro

Quando ir à emergência.

Primeira vez

A primeira dor no peito forte, ou a primeira crise com esses sintomas, precisa de avaliação médica no mesmo dia.

Diferente do habitual

Quem já tem diagnóstico de pânico e sente uma dor mais forte, mais longa ou de outro jeito deve procurar atendimento.

Com esforço

Dor que aparece ao subir escada, caminhar ou carregar peso e melhora com o repouso pede avaliação cardiológica.

Fatores de risco

Mais de 40 a 50 anos, fumo, diabetes, pressão alta, colesterol alto ou infarto na família tornam a avaliação ainda mais importante.

Na dúvida, procure atendimento. Ninguém precisa pedir desculpas por ir à emergência com dor no peito. O que a terapia ajuda a evitar são as idas repetidas, depois do diagnóstico, que acontecem por medo e não por um sintoma novo.

E depois?

Os exames vieram normais. E agora?

Muita gente sai da emergência com "não é nada do coração" e nenhuma explicação para o que sentiu. A crise volta, o medo também, e começa um ciclo de exames, consultas e checagens do pulso. Nesse ponto, vale considerar o pânico:

  1. 1Feche a avaliação médica. Leve os exames ao clínico ou ao cardiologista e pergunte se falta algo. Refluxo, problemas musculares e tireoide também causam sintomas parecidos.
  2. 2Observe o padrão. As crises chegam ao pico em minutos, vêm com muito medo e passam? Você tem evitado lugares ou esforço físico por medo de passar mal?
  3. 3Procure avaliação psicológica. Se as crises se repetem e o medo da próxima toma conta, a avaliação diz se é transtorno do pânico e qual o plano.
  4. 4Mantenha o cardiologista. Quem tem doença no coração e pânico trata os dois. A terapia não substitui o acompanhamento cardiológico.

Para os outros sinais do quadro, leia como saber se tenho síndrome do pânico. Para o que fazer durante a crise, veja crise de ansiedade: o que fazer.

Como a TCC ajuda

Como a terapia trata o medo do coração.

No pânico, o coração acelerado é lido como sinal de infarto, o medo acelera ainda mais o coração, e a checagem constante (contar o pulso, medir a pressão, evitar esforço) mantém o alerta ligado. A TCC trabalha esse ciclo com informação, com exposição às sensações do corpo, como subir escadas e sentir o coração bater forte, e com a retomada das atividades evitadas, sempre depois da liberação do médico.

O tratamento é feito no consultório em Botafogo ou pela terapia online para pânico. Mais sobre o quadro em síndrome do pânico.

O que dizem os estudos

O que dizem os estudos sobre pânico e coração?

Os números vêm dos próprios estudos, com link para a fonte.

Um em cada quatro, quase sempre sem diagnóstico

Em 441 pessoas atendidas com dor no peito na emergência de um hospital cardiológico de Montreal, cerca de 25% tinham transtorno do pânico. 98% delas não foram reconhecidas pelos cardiologistas, e 44% já tinham doença coronariana diagnosticada.

Fleet et al., 1996, The American Journal of Medicine

Os sintomas não separam os dois

Em 338 pacientes avaliados para síndrome coronariana aguda numa emergência australiana, 5,6% tinham transtorno do pânico, e os sintomas relatados não permitiram distinguir quem tinha pânico de quem não tinha.

Greenslade et al., 2017, Heart, Lung and Circulation

Pânico não protege o coração

Em 12 estudos com mais de 1,1 milhão de pessoas, o transtorno do pânico se associou a mais doença coronariana ao longo do tempo (razão de risco ajustada de 1,47), mesmo descontando a depressão. Os autores não descartam que a relação seja no sentido inverso.

Tully et al., 2015, Psychological Medicine

TCC reduz a dor no peito sem causa cardíaca

Em 17 ensaios com 1.006 pessoas com dor no peito e coronárias normais, as intervenções psicológicas, sobretudo as de TCC, reduziram os relatos de dor nos três primeiros meses (risco relativo de 0,70).

Kisely et al., 2015, Cochrane

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns.

Pelos sintomas, não dá para ter certeza: dor no peito, coração disparado, falta de ar e suor aparecem nos dois. Só o atendimento médico, com eletrocardiograma e, quando preciso, exames de sangue, separa um do outro. Por isso, uma dor no peito nova, diferente ou forte vai para a emergência. Depois que o coração foi avaliado e as crises se repetem com exames normais, o pânico passa a ser a principal hipótese.

Uma crise de pânico, em si, costuma ser assustadora, mas não perigosa para um coração saudável. Ao longo dos anos, porém, quem tem transtorno do pânico teve mais doença coronariana nos estudos (risco cerca de 47% maior numa meta-análise), sem que se saiba se o pânico causa isso. Tratar o pânico e cuidar dos fatores de risco do coração andam juntos.

Dor no peito com exames cardíacos normais é muito comum e tem várias causas, como refluxo, dor muscular e ansiedade. Em quem chega à emergência com dor no peito, cerca de 1 em cada 4 tinha transtorno do pânico num estudo canadense, e quase nenhum foi reconhecido pelos médicos. Se as crises se repetem com medo intenso, vale uma avaliação psicológica.

Sim. No mesmo estudo canadense, 44% dos pacientes com pânico já tinham doença coronariana diagnosticada. Os dois podem existir juntos, e é por isso que o acompanhamento com o cardiologista continua, mesmo durante a terapia.

A primeira vez, ou quando a dor é diferente das anteriores, mais forte ou vem com sinais de alarme, sim. Quando o pânico já foi diagnosticado e o coração avaliado, o plano é combinado com o médico e o psicólogo, porque idas repetidas sem necessidade alimentam o medo. Na dúvida, procure atendimento.

Trata quando a causa cardíaca foi descartada. Numa revisão Cochrane com 17 ensaios, as intervenções psicológicas, principalmente as de TCC, reduziram os relatos de dor no peito nos meses seguintes em pessoas com coronárias normais.

Exames normais e o medo continua?

Agende pelo WhatsApp uma avaliação no consultório em Botafogo ou online.