Supervisão clínica · TCC
Supervisão em Terapia Cognitivo-Comportamental.
A supervisão em TCC trabalha três coisas ao mesmo tempo: a formulação do caso, a estrutura das sessões e a condução dos protocolos de primeira linha de cada quadro. O objetivo é que você saiba por que escolheu cada intervenção, como conduzi-la e o que fazer quando ela não funciona. Online e no Instituto InMind, em Botafogo (RJ).
Por Maurício Araújo, psicólogo (CRP 05/80169) · Revisado em
O centro
A formulação do caso.
A formulação liga a história do paciente, as crenças e os ciclos que mantêm o problema hoje, e é ela que orienta a escolha das intervenções. É também uma das competências mais difíceis: em um estudo com 115 profissionais que formularam o mesmo caso, houve boa concordância nos aspectos descritivos, mas pouca nos aspectos que exigem inferência teórica, e só 44% das formulações foram consideradas pelo menos boas o suficiente (Kuyken e colaboradores, 2005).
Por isso, na supervisão, a formulação é escrita, revista e testada contra o que acontece nas sessões:
- Diagnóstico nosológico (pelos critérios do DSM) e diagnóstico funcional (o que mantém o problema).
- Crenças centrais, regras e estratégias compensatórias ligadas aos ciclos atuais.
- Hipóteses que podem ser testadas com o paciente, e não só interpretadas.
- Um plano que deriva da formulação, com metas e medidas.
O guia de preparação (PDF) traz um modelo de formulação para levar aos encontros.
Por quadro
Os protocolos de primeira linha.
Para cada quadro, a supervisão foca no que torna o protocolo eficaz e nos pontos em que a condução costuma travar. As páginas de tratamento mostram cada protocolo do lado do paciente.
| Quadro | Protocolo | Foco da supervisão |
|---|---|---|
| DepressãoAtivação comportamental e terapia cognitiva · Monitorar atividades, agendar por valores, trabalhar a ruminação e manejar o risco. | Ativação comportamental e terapia cognitiva | Monitorar atividades, agendar por valores, trabalhar a ruminação e manejar o risco. |
| Ansiedade generalizadaTCC para preocupação · Intolerância à incerteza, crenças sobre a preocupação, exposição a cenários temidos. | TCC para preocupação | Intolerância à incerteza, crenças sobre a preocupação, exposição a cenários temidos. |
| PânicoTCC para pânico · Ciclo do pânico, interpretação catastrófica, exposição interoceptiva e às situações evitadas. | TCC para pânico | Ciclo do pânico, interpretação catastrófica, exposição interoceptiva e às situações evitadas. |
| Ansiedade socialTerapia cognitiva para ansiedade social · Atenção autofocada, comportamentos de segurança, experimentos comportamentais. | Terapia cognitiva para ansiedade social | Atenção autofocada, comportamentos de segurança, experimentos comportamentais. |
| TOCExposição com prevenção de resposta · Hierarquia, prevenção de rituais encobertos e da busca por garantia. | Exposição com prevenção de resposta | Hierarquia, prevenção de rituais encobertos e da busca por garantia. |
| TEPTTerapias focadas no trauma · Avaliação, estabilização quando necessária, ritmo e condução da exposição ao trauma. | Terapias focadas no trauma | Avaliação, estabilização quando necessária, ritmo e condução da exposição ao trauma. |
| InsôniaTCC para insônia · Restrição do tempo na cama, controle de estímulos, crenças sobre o sono. | TCC para insônia | Restrição do tempo na cama, controle de estímulos, crenças sobre o sono. |
| BurnoutTCC adaptada ao contexto de trabalho · Avaliação do trabalho, recuperação, limites e prevenção de recaída. | TCC adaptada ao contexto de trabalho | Avaliação do trabalho, recuperação, limites e prevenção de recaída. |
Supervisão por tema: depressão, ansiedade, pânico e TOC, borderline e casais.
O que dizem os estudos
Por que a condução importa.
Uma meta-análise de 41 ensaios controlados com placebo (2.843 pacientes) mostrou efeito moderado da TCC nos transtornos de ansiedade, com efeitos maiores em amostras que completaram o tratamento; intervenções baseadas principalmente em exposição tiveram efeitos numericamente maiores (Carpenter e colaboradores, 2018). Na depressão, uma meta-análise de 26 ensaios (1.524 participantes) mostrou a ativação comportamental superior aos controles (Ekers e colaboradores, 2014).
Esses resultados vêm de ensaios em que os terapeutas foram selecionados, treinados e supervisionados com cuidado (Roth, Pilling e Turner, 2010). Os autores alertam que, sem esse investimento em treino e supervisão, a eficácia dos protocolos na clínica do dia a dia pode ficar abaixo da dos estudos. É aí que a supervisão entra.
Na sessão
Estrutura, medida e tarefa.
- Estrutura: agenda, revisão da semana, foco, tarefa e resumo, sem engessar a conversa.
- Medida: escalas a cada fase do tratamento, lidas junto com o paciente, como no consultório.
- Tarefa: tarefas entre sessões viáveis, ligadas à formulação, e revisão da adesão sem culpa.
- Competência: trechos de sessão, quando o paciente consente, avaliados com escalas como a CTS-R.
Quando o protocolo padrão não basta, entram as abordagens integradas: Terapia do Esquema integrada à TCC e Análise do Comportamento integrada à TCC. O mapa completo está em competências do terapeuta em TCC.
Perguntas frequentes
Dúvidas comuns.
Referências
- Kuyken, W. et al. (2005). The reliability and quality of cognitive case formulation. Behaviour Research and Therapy, 43(9), 1187–1201. DOI
- Ekers, D. et al. (2014). Behavioural activation for depression; an update of meta-analysis of effectiveness and sub group analysis. PLoS One, 9(6), e100100. DOI
- Carpenter, J. K. et al. (2018). Cognitive behavioral therapy for anxiety and related disorders: a meta-analysis of randomized placebo-controlled trials. Depression and Anxiety, 35(6), 502–514. DOI
- Roth, A. D.; Pilling, S.; Turner, J. (2010). Therapist training and supervision in clinical trials: implications for clinical practice. Behavioural and Cognitive Psychotherapy, 38(3), 291–302. DOI
- Beale, S.; Vitoratou, S.; Liness, S. (2021). An investigation into the factor structure of the Cognitive Therapy Scale – Revised (CTS-R) in a CBT training sample. Behavioural and Cognitive Psychotherapy, 49(6), 721–731. DOI
- Roth, A. D.; Pilling, S. (2008). Using an evidence-based methodology to identify the competences required to deliver effective cognitive and behavioural therapy for depression and anxiety disorders. Behavioural and Cognitive Psychotherapy, 36(2), 129–147. Acesso
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