Supervisão clínica · Competências

Mapa de competências do terapeuta em TCC.

Este é o mapa usado na supervisão: as competências gerais do terapeuta e as específicas de cada quadro e de cada abordagem integrada, divididas em técnicas e interpessoais. Ele segue o mapa de competências da TCC de Roth e Pilling, e mostra, para cada competência, como ela é treinada e como a evolução é observada.

Por · Revisado em

Duas divisões

Gerais ou específicas, técnicas ou interpessoais.

Cada competência pode ser lida em dois eixos. O primeiro separa as gerais, que valem para qualquer paciente, das específicas, que dependem do quadro tratado ou da abordagem integrada. O segundo separa as técnicas, procedimentos que se aprendem como um ofício, das interpessoais, a forma de estar na relação com o paciente.

Os dois eixos importam porque se aprendem de jeitos diferentes. Em um estudo com 120 terapeutas de TCC experientes, leitura e aulas apareceram como mais úteis para o conhecimento, enquanto role-play, trabalho experiencial e prática reflexiva foram vistos como mais úteis para as habilidades de condução e para as habilidades interpessoais (Bennett-Levy e colaboradores, 2009).

Gerais · 1 de 4

Competências genéricas

Competências genéricas: competências, tipo e como são treinadas
Competência
Construir a aliança e combinar metasInterpessoal · Role-play das primeiras sessões; análise de trechos gravados.
Empatia precisa e validaçãoInterpessoal · Modelação e prática de respostas reflexivas.
Perceber e reparar rupturas na relaçãoInterpessoal · Revisão de momentos de impasse; ensaio da conversa de reparo.
Avaliar risco de suicídio e autolesãoTécnica · Roteiro de perguntas, plano de segurança, quando acionar a rede.
Trabalhar dentro dos limites da competênciaTécnica · Discussão de encaminhamentos e de casos que excedem o momento atual.

As 8 habilidades interpessoais descritas por Miller e Moyers, como empatia precisa, genuinidade e evocação, estão detalhadas na página de supervisão clínica em TCC.

Gerais · 2 de 4

Competências básicas da TCC

Competências básicas da TCC: competências, tipo e como são treinadas
Competência
Avaliação e entrevista estruturadaTécnica · Roteiro de caso do guia; ensaio da primeira sessão.
Diagnóstico nosológico e funcionalTécnica · Revisão dos critérios e da análise funcional de cada queixa.
Formulação do casoTécnica · Formulação escrita revista a cada encontro.
Estrutura da sessão e agendaTécnica · Ensaio da abertura e do fechamento da sessão.
Tarefas entre sessõesTécnica · Desenho de tarefas viáveis e revisão da adesão.
Medir a evolução com escalasTécnica · Escolha da escala certa e leitura dos resultados com o paciente.

A formulação merece atenção especial: em um estudo com 115 profissionais que formularam o mesmo caso, só 44% das formulações foram consideradas pelo menos boas o suficiente, e a qualidade acompanhou a experiência clínica e a acreditação dos terapeutas (Kuyken e colaboradores, 2005).

Gerais · 3 de 4

Técnicas específicas da TCC

Técnicas específicas da TCC: competências, tipo e como são treinadas
Competência
Descoberta guiada e questionamento socráticoTécnica · Role-play com troca de papéis.
Reestruturação cognitivaTécnica · Modelação e prática com registros de pensamento.
Experimentos comportamentaisTécnica · Planejamento conjunto da previsão, do teste e da revisão.
Exposição graduadaTécnica · Montagem da hierarquia e ensaio da condução da exposição.
Ativação comportamentalTécnica · Monitoramento de atividades e agendamento por valores.

Gerais · 4 de 4

Metacompetências

Metacompetências: competências, tipo e como são treinadas
Competência
Adaptar o protocolo à pessoaTécnica · Discussão de por que e como flexibilizar sem perder os elementos ativos.
Decidir quando mudar de rotaTécnica · Revisão das medidas e da formulação quando o caso não avança.
Integrar outra abordagem ao planoTécnica · Quando trazer a Terapia do Esquema ou a análise funcional, e como.

Específicas · por quadro

O que muda em cada protocolo.

As competências específicas por problema são as dos tratamentos de primeira linha de cada quadro. As páginas de tratamento mostram esses protocolos do lado do paciente.

  • Depressão: Ativação comportamental, reestruturação cognitiva, manejo do risco.
  • Ansiedade generalizada: Formulação da preocupação, intolerância à incerteza, exposição a cenários temidos.
  • Pânico: Ciclo do pânico, exposição interoceptiva, retirada de comportamentos de segurança.
  • Ansiedade social: Atenção autofocada, experimentos comportamentais, exposição em vídeo.
  • TOC: Exposição com prevenção de resposta e manejo das compulsões encobertas.
  • TEPT: Terapias focadas no trauma, ritmo da exposição, estabilização.
  • Insônia: TCC para insônia: restrição do tempo na cama e controle de estímulos.
  • Borderline: Validação, manejo de crises, estrutura e, quando indicado, Terapia do Esquema integrada.
  • Relacionamentos: Padrões que se repetem, esquemas e modos, habilidades de comunicação.

A supervisão por protocolo está detalhada em supervisão em TCC. Há também páginas por tema: depressão, ansiedade e pânico, borderline e casais.

Específicas · por abordagem

As abordagens integradas à TCC.

Treinar com exercícios faz diferença também nessas abordagens: em um ensaio com 323 pacientes com transtornos de personalidade, os terapeutas do esquema treinados principalmente com exercícios tiveram resultados melhores que os treinados principalmente com aulas (Bamelis e colaboradores, 2014).

Medida

Como a evolução é observada.

  • Formulação escrita do caso, revista ao longo dos encontros.
  • Observação em role-play, com feedback sobre uma competência por vez.
  • Trechos de sessão gravados, quando o paciente consente, avaliados com escalas de competência como a CTS-R, usada em programas de formação em TCC (Beale e colaboradores, 2021).
  • Escalas específicas por transtorno quando existem: para o pânico, uma escala específica mostrou relação entre competência e resultado clínico (Liness e colaboradores, 2020).
  • Metas de competência combinadas no contrato e revistas periodicamente.

Para começar, faça a autoavaliação de competências do guia de preparação (PDF) e escolha duas competências para levar como meta à supervisão.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns.

É a supervisão que dá nome às habilidades que a terapeuta precisa desenvolver, treina cada uma com métodos adequados e acompanha a evolução com critérios combinados. Em vez de discutir só o que fazer com cada paciente, ela pergunta quais competências estão em jogo no caso e quais precisam de treino.

As gerais servem para qualquer paciente: aliança, avaliação, formulação, estrutura da sessão. As específicas dependem do quadro (por exemplo, exposição com prevenção de resposta no TOC) ou da abordagem integrada (como formular modos na Terapia do Esquema).

As técnicas são procedimentos: formular, montar uma hierarquia de exposição, conduzir um experimento. As interpessoais são a forma de estar na relação: empatia precisa, validação, reparo de rupturas. Os resultados dependem das duas.

Pela formulação escrita, pela observação em role-play e, quando o paciente consente, por trechos de sessão avaliados com escalas de competência como a CTS-R. Para alguns quadros, como o pânico, já existem escalas específicas. A autoavaliação do guia em PDF ajuda a escolher por onde começar.

Do mapa de competências da TCC desenvolvido por Anthony Roth e Stephen Pilling, na University College London, que organiza o trabalho do terapeuta em domínios genéricos, básicos, técnicas específicas, específicos por problema e metacompetências.

Referências

  1. Roth, A. D.; Pilling, S. (2008). Using an evidence-based methodology to identify the competences required to deliver effective cognitive and behavioural therapy for depression and anxiety disorders. Behavioural and Cognitive Psychotherapy, 36(2), 129–147. Acesso
  2. Bennett-Levy, J.; McManus, F.; Westling, B. E.; Fennell, M. (2009). Acquiring and refining CBT skills and competencies: which training methods are perceived to be most effective?. Behavioural and Cognitive Psychotherapy, 37(5), 571–583. DOI
  3. Kuyken, W. et al. (2005). The reliability and quality of cognitive case formulation. Behaviour Research and Therapy, 43(9), 1187–1201. DOI
  4. Beale, S.; Vitoratou, S.; Liness, S. (2021). An investigation into the factor structure of the Cognitive Therapy Scale – Revised (CTS-R) in a CBT training sample. Behavioural and Cognitive Psychotherapy, 49(6), 721–731. DOI
  5. Liness, S. et al. (2020). Assessing panic disorder-specific competencies: evaluation of the Cognitive Therapy Competence Scale for panic disorder. Behavioural and Cognitive Psychotherapy, 49(2), 197–205. DOI
  6. Bamelis, L. L. M.; Evers, S. M. A. A.; Spinhoven, P.; Arntz, A. (2014). Results of a multicenter randomized controlled trial of the clinical effectiveness of schema therapy for personality disorders. American Journal of Psychiatry, 171(3), 305–322. DOI

Vamos conversar.

Mande uma mensagem pelo WhatsApp para combinar por quais competências começar e saber as modalidades e o valor.