Competências gerais · Ruptura e reparo

Ruptura e reparo da aliança terapêutica.

Uma ruptura é uma piora na aliança: desacordo sobre as metas, falta de colaboração nas tarefas ou tensão no vínculo. Ela acontece em qualquer terapia. O que faz diferença é a terapeuta perceber, nomear e reparar, e essa é uma competência que se treina.

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Como reconhecer

Sinais de ruptura.

As rupturas costumam aparecer de duas formas:

  • Afastamento: respostas curtas, concordância rápida demais, mudança de assunto, faltas, tarefas que param de ser feitas.
  • Confronto: crítica à terapeuta ou ao tratamento, irritação, questionamento das metas ou das técnicas.

Do lado da terapeuta, também há sinais: tédio, pressa, vontade de convencer, de agradar ou de evitar certos temas. Perceber o que o caso desperta é parte da competência.

O que dizem os estudos

Reparar está ligado a melhores resultados.

Uma meta-análise de 11 estudos (1.314 pacientes) encontrou relação moderada entre episódios de reparo da ruptura e melhor resultado (r = 0,29). Uma segunda análise, com 6 estudos e 276 terapeutas, não encontrou efeito significativo do treinamento em reparo sobre os resultados, mas o efeito foi maior quando o treinamento era mais próximo da TCC e quando o tratamento era breve (Eubanks, Muran e Safran, 2018).

Esses dados se somam à associação consistente entre aliança e resultado encontrada em 295 estudos (Flückiger e colaboradores, 2018).

Como se treina

A conversa de reparo.

  • Identificar, no relato ou em trechos gravados, o momento em que a aliança mudou.
  • Ensaiar como nomear a ruptura com curiosidade, sem acusar nem se defender.
  • Explorar com o paciente o que aconteceu, inclusive o que a terapeuta fez.
  • Ajustar metas ou tarefas quando o desacordo é legítimo, e voltar ao trabalho.
  • Quando o padrão se repete na relação, usar a formulação para entendê-lo.

Em casos com padrões que se repetem na relação terapêutica, a Terapia do Esquema integrada à TCC ajuda a ler o que está acontecendo. Veja também aliança terapêutica.

Na supervisão

Como participar da supervisão.

Individual, em dupla, em grupo ou como ouvinte (psicólogas com CRP ativo e estudantes), online ou presencial no Instituto InMind, em Botafogo (RJ). Veja o modelo completo em supervisão clínica em TCC e o mapa geral em competências do terapeuta.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns.

É uma piora na colaboração entre terapeuta e paciente: desacordo sobre metas, falta de colaboração nas tarefas ou tensão no vínculo. Pode aparecer como afastamento (respostas curtas, faltas) ou como confronto (crítica, irritação).

Não necessariamente. Rupturas acontecem em qualquer terapia. Quando são percebidas e reparadas, os estudos mostram associação com melhores resultados.

Perceber o sinal, nomeá-lo com curiosidade, explorar com o paciente o que aconteceu, inclusive a parte da terapeuta, e ajustar metas ou tarefas quando faz sentido, para então voltar ao trabalho.

O valor depende da modalidade (individual, dupla, grupo ou ouvinte) e da frequência, e é informado pelo WhatsApp, junto com os horários disponíveis.

Referências

  1. Eubanks, C. F.; Muran, J. C.; Safran, J. D. (2018). Alliance rupture repair: a meta-analysis. Psychotherapy, 55(4), 508–519. DOI
  2. Flückiger, C.; Del Re, A. C.; Wampold, B. E.; Horvath, A. O. (2018). The alliance in adult psychotherapy: a meta-analytic synthesis. Psychotherapy, 55(4), 316–340. DOI

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