Competências gerais · Formulação de caso

Formulação de caso em TCC.

A formulação de caso é a explicação, construída com o paciente, de por que o problema começou e, principalmente, do que o mantém hoje. É ela que liga a avaliação ao plano de tratamento e justifica cada intervenção. Na supervisão, é a competência que mais aparece, porque quase toda dúvida clínica volta a ela.

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O que é

Do sintoma à explicação.

Uma boa formulação costuma ser construída em camadas, ao longo das sessões:

  • Descrição: os problemas e as metas, em termos concretos, com exemplos recentes.
  • Manutenção: os ciclos de situação, pensamento, emoção, sensação e comportamento que mantêm o problema agora, incluindo esquiva e comportamentos de segurança.
  • História: crenças centrais, regras e estratégias que vieram de experiências anteriores e tornam a pessoa vulnerável ao problema.
  • Forças: recursos, valores e o que já funcionou, que entram no plano tanto quanto as dificuldades.

Na TCC, a formulação reúne o diagnóstico nosológico (pelos critérios do DSM) e o diagnóstico funcional (o que mantém o problema daquela pessoa). Quando o caso pede, ela incorpora a análise funcional ou os esquemas e modos da Terapia do Esquema integrada à TCC.

Onde costuma travar

Uma competência difícil.

Em um estudo com 115 profissionais que formularam o mesmo caso, a concordância foi boa nos aspectos descritivos e caiu nos que exigem inferência teórica. Só 44% das formulações foram consideradas pelo menos boas o suficiente, e a qualidade acompanhou a experiência clínica e a acreditação dos terapeutas (Kuyken e colaboradores, 2005). Os tropeços mais comuns:

  • Lista de sintomas sem hipótese sobre o que os mantém.
  • Crenças centrais inferidas cedo demais, sem dados das sessões.
  • Formulação bonita no papel que não muda o plano de tratamento.
  • Formulação feita sobre o paciente, e não com ele.
  • Formulação congelada: não é revista quando o caso não avança.

Como se treina

Escrita, testada e revista.

  • Você traz a formulação por escrito; revemos juntas o que tem dado e o que é hipótese.
  • Transformamos hipóteses em perguntas e experimentos para a próxima sessão.
  • Ensaiamos, em role-play, como compartilhar a formulação com o paciente em linguagem simples.
  • Checamos se cada intervenção do plano deriva da formulação.
  • Revemos a formulação sempre que as medidas mostram que o caso não está melhorando.

O guia de preparação (PDF) traz um modelo de formulação para levar aos encontros.

Na supervisão

Como participar da supervisão.

Individual, em dupla, em grupo ou como ouvinte (psicólogas com CRP ativo e estudantes), online ou presencial no Instituto InMind, em Botafogo (RJ). Veja o modelo completo em supervisão clínica em TCC e o mapa geral em competências do terapeuta.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns.

É a explicação, construída com o paciente, de como o problema se desenvolveu e do que o mantém hoje, ligando situações, pensamentos, emoções e comportamentos a crenças e experiências anteriores. Ela orienta a escolha e a ordem das intervenções.

O diagnóstico classifica o quadro pelos critérios do DSM e indica o protocolo. A formulação explica aquele caso específico e diz como adaptar o protocolo à pessoa.

Ela nunca fica pronta de vez. Uma primeira versão costuma sair das sessões de avaliação, e depois é revista conforme novos dados aparecem e conforme o paciente responde às intervenções.

Sim, em linguagem simples. Formular junto aumenta o entendimento do paciente sobre o próprio problema e o sentido das tarefas propostas.

O valor depende da modalidade (individual, dupla, grupo ou ouvinte) e da frequência, e é informado pelo WhatsApp, junto com os horários disponíveis.

Referências

  1. Kuyken, W. et al. (2005). The reliability and quality of cognitive case formulation. Behaviour Research and Therapy, 43(9), 1187–1201. DOI
  2. Roth, A. D.; Pilling, S. (2008). Using an evidence-based methodology to identify the competences required to deliver effective cognitive and behavioural therapy for depression and anxiety disorders. Behavioural and Cognitive Psychotherapy, 36(2), 129–147. Acesso

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